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24/06/2010 - 10h16 / Atualizada 24/06/2010 - 11h05

Austrália tem pela primeira vez uma mulher à frente do governo

CANBERRA, 24 Jun 2010 (AFP) -A Austrália tem pela primeira vez uma mulher à frente de seu gabinete, Julia Gillard, que nesta quinta-feira foi designada primeira-ministra em função de uma rebelião interna no Partido Trabalhista contra o chefe de governo Kevin Rudd.

Gillard, uma ex-advogada de 48 anos, foi eleita pelos parlamentares trabalhistas reunidos para nomear o sucessor de Kevin Rudd, cuja popularidade desabou depois de uma série de reveses políticos.

Rudd se demitiu pouco depois de seu cargo como chefe do Partido Trabalhista, depois de dois anos e sete meses como chefe de Governo.

Julia Gillard, que ocupava desde 2007 o cargo de vice-primeira-ministra, prestou juramento nesta quinta.

"Sinto-me muito honrada", declarou, admitindo, no entanto, que, como não foi eleita pelo povo australiano, vai pedir nos próximos meses que o governo geral convoque eleições de forma que os australianos possam exercer seu direito de voto.

Este golpe dentro do Partido Trabalhista surpreendeu a todos, inclusive os especialistas.

"A velocidade das mudanças operadas é alucinante", admitiu a analista política Elizabeth van Acker.

O ministro das Finanças, Wayne Swan, que goza de uma forte popularidade por seu papel durante a crise financeira, assumirá como vice-primeiro-ministro.

Kevin Rudd, que foi eleito em 2007, pôs fim a onze anos de poder do conservador John Howard. Este ex-diplomata de rosto redondo e apelidado de "Harry Potter" dentro de seu próprio partido permitiu que seu campo emergisse do abismo em que se encontrava.

Gozava de grande popularidade até alguns meses quando os trabalhistas se viram obrigados a tomar decisões difíceis, como o abandono do Plano Carbono, dentro da luta contra o aquecimento global, e o controvertido projeto de um imposto sobre os lucros dos grupos de mineração.

Julia Gillard já anunciou que fará o relançamento do Plano Carbono.

Gillard é conhecida tanto por sua pronúncia australiana forte como por sua franqueza. Além de vice-primeira-ministra do governo Rudd desde 2007, também foi ministra do Emprego e Educação, quando gestionou um ambicioso programa de investimento nos centros escolares,

Gillard, que nasceu em 29 de setembro de 1961 em Gales, emigrou para a Austrália com a família aos cinco anos.

Estudou direito e arte em Adelaide, onde se destacou como aluna brilhante e assumiu, em 1983, as rédeas do sindicato de estudantes.

Iniciou carreira no direito trabalhista antes de entrar para a política ao lado do líder da oposição do estado de Victoria, John Brumby.

Entrou no Parlamento em 1998 e goza da estima dos círculos políticos australianos.

Em 2007, um deputado conservador provocou protestos ao afirmar que uma "uma mulher deliberadamente estéril" não podia conduzir os assuntos do país. Julia não tem filhos e é solteira convicta.

Em uma entrevista em 2008, abordou este tema explicando sua "plena admiração pelas mulheres que conseguir levar uma vida familiar e profissional", mas admitiu que não se sentia capaz de fazer isso.

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