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27/06/2010 - 17h39 / Atualizada 27/06/2010 - 17h40

Quirguistão adota nova Constituição em referendo chave para sua estabilidade

BISQUEQUE, Quirguistão, 27 Jun 2010 (AFP) -O Quirguistão aprovou este domingo, em referendo, uma nova Constituição que deveria aumentar consideravelmente os poderes do Parlamento, após um referendo no qual se pronunciaram 70% dos eleitores, anunciou a presidente interina, Rosa Otunbayeva, que ficará no poder até 2011.

"A nova Constituição foi aprovada, apesar dos selvagens ataques de seus adversários", declarou Otunbayeva algumas horas depois do encerramento da votação neste pequeno país da Ásia Central, pobre e instável, sem dar detalhes sobre qual a proporção do eleitorado que votou a favor da reforma.

Setenta por cento dos eleitores foram às urnas, informou a Comissão Eleitoral.

"Não nos reportaram incidentes graves ou queixas importantes", declarou o presidente da comissão, Akilbek Sariev.

Os resultados provisórios serão publicados na manhã desta segunda-feira, acrescentou, destacando que é "cedo demais para dizer que a nova Constituição foi adotada"

No entanto, os primeiros resultados parteciam dar razão à presidente. Por volta das 15h15 de Brasília, com 44,37% dos colégios eleitorais apurados, o "sim" obteve 89,9% dos votos, segundo a página da comissão na internet.

As autoridades temiam uma explosão de violência, este domingo, após os violentos confrontos entre a maioria uzbeque e a maioria quirguiz, no começo do mês, nos quais morreram centenas de pessoas.

Dois milhões e meio de eleitores foram convocados a votar para dizer "sim" ou "não" à nova lei fundamental, de importância crucial para que o governo provisório possa restabelecer a estabilidade no país.

Em Osh (sul), epicentro dos confrontos de meados de junho entre quirguizes e a minoria uzbeque que, segundo as autoridades, deixaram até dois mil mortos e 400 mil deslocados, foram reforçadas as medidas de segurança por medo de um novo surto de violência.

Historicamente, as relações entre a minoria uzbeque (entre 15% e 20% da população) e os quirguizes são tensas, devido, sobretudo às disparidades econômicas nas quais os uzbeques saem desfavorecidos.

Por ocasião desta consulta, as autoridades suspenderam no sábado o toque de recolher em vigor no sul do país desde a explosão da violência, e voltará a ser decretado após a consulta, informou a presidente.

A nova Constituição enfraquece consideravelmente o presidente em benefício do Parlamento para evitar a concentração de poder nas mãos de uma única pessoa.

Rosa Otunbayeva permanecerá presidente interina até as eleições presidenciais de outubro de 2011. Ela chegou ao cargo após a insurreição de abril, que depôs o presidente Kurmanbek Bakiyev, forçando-o a exilar0se. A revolta, que explodiu contra o autoritarismo e o nepotismo do governo Bakiyev, deixou 87 mortos.

Desde então, vários episódios de violência mancharam de sangue o país e os eleitores esperam que a nova Constituição leve estabilidade ao Quirguistão, onde os Estados Unidos têm uma base militar fundamental para suas operações no Afeganistão.

Por razões de segurança, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) renunciou o envio de observadores para este referendo, acompanhado de perto no exterior.

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