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27/06/2010 - 09h12 / Atualizada 27/06/2010 - 09h19

Referendo de alto risco no Quirguistão para o governo provisório

BISQUEQUE, Quirguistão, 27 Jun 2010 (AFP) -Os quirguizes vão às urnas neste domingo num referendo constitucional considerado de vital importância para o governo interino já que, segundo especialistas, pode gerar novos episódios de violência neste instável país da Ásia Central.

Apesar dos recentes confrontos étnicos, o governo provisório, que chegou ao poder em abril por causa de uma revolta sangrenta que expulsou o presidente Kurmanbek Bakiyev, manteve esta consulta popular para tentar provar sua legitimidade.

Cerca de 2,5 milhões de eleitores desta ex-república soviética de 5,3 milhões de habitantes vão dizer se aprovam ou não a nova Constituição, que fortalece o parlamento em detrimento do presidente para evitar a concentração do poder em mãos de uma única pessoa.

Refugiado na Belarus, Bakiyev foi derrubado em consequência do autoritarismo e nepotismo que caracterizou seu mandato.

Além disso, se o "sim" vencer, um único partido não poderá ter mais de 50 cadeiras num total de 90 no parlamento quirguiz. O partido Ak-Khol de Bakiyev era ultramajoritário na assembleia anterior.

Por causa dos enfrentamentos sangrentos de meados de maio, as autoridades quirguizes adiaram para outubro de 2011 as eleições presidenciais previstas inicialmente para o final deste ano. E confiaram o posto supremo à chefe do governo provisório, Rosa Otunbayeva, que será legitimada se o "sim" vencer nas urnas.

O governo interino decidiu manter a data de domingo para o referendo apesar dos enfrentamentos étnicos de junho no sul do país, nos quais, segundo o balanço oficial, morreram 251 pessoas, uma cifra que, segundo as autoridades, pode ser dez vezes mais elevada.

A adoção da nova Constituição representará "uma vitória do povo quirguiz sobre o autoritarismo", vaticinou Otunbayeva nesta quinta durante um dicurso televisado.

"É preciso restabelecer a ordem no país. E não é possível sem a adoção da Constituição e a formação de estruturas de Estado", acrescentou.

Mas a realização desta consulta em um contexto tenso poderá ter efeito contrário e minar ainda mais a força das autoridades, advertem os especialistas

"Manter o referendo nas atuais e difíceis circunstâncias não é realista", afirma o diretor do Centro de Pesquisas sobre os Problemas da Globalilzacão no Quirguistão, Karybek Baibosunov.

O presidente russo Dimitri Medvedev advertiu na quinta-feira contra uma divisão do país que, em sua opinião, tem problemas comparáveis com os do Afeganistão.

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