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29/06/2010 - 13h07 / Atualizada 29/06/2010 - 13h10

Rússia não esconde a ira com a detenção de supostos espiões nos EUA

MOSCOU, 29 Jun 2010 (AFP) -A Rússia levantou-se, nesta terça-feira, contra as autoridades americanas após o anúncio de detenções de supostos espiões russos nos Estados Unidos, e pediu explicações sobre um episódio digno da Guerra Fria, num contexto de retomada das relações bilaterais entre os dois países.

"Em nossa opinião, tais ações não têm qualquer fundamento e são mal-intencionadas", estimou a diplomacia russa em comunicado.

"Não entendemos as causas que levaram o Ministério da Justiça americano a fazer declarações públicas no espírito de 'histórias de espiões' do tempo da Guerra Fria", martelou o Ministério russo das Relações Exteriores.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, pediu explicações e ironizou o anúncio das prisões que aconteceram poucos dias depois de uma visita do presidente russo Dmitri Medvedev aos Estados Unidos, onde ele e o presidente americano Barack Obama se empenharam em construir uma imagem positiva.

"O momento do ocorrido foi escolhido com especial delicadeza", ironizou.

Cinco das dez pessoas detidas no domingo, nos Estados Unidos, compareceram na segunda-feira ante a um juiz federal em Nova York, que ordenou que continuassem em prisão preventiva. Uma pessoa conseguiu escapar durante a operação.

Os detidos dizem ser de nacionalidade americana, canadenses e peruana, segundo as duas queixas apresentadas contra eles pela justiça americana, mas a informação não foi confirmada.

Entre eles está Juan Lázaro, que aparentemente é um peruano nascido no Uruguai, e sua esposa, que diz se chamar Vicki Peláez, uma peruana nacionalizada americana.

Todos foram acusados de atuar como agentes de um governo estrangeiro, o que envolve uma pena máxima de cinco anos de prisão. Além disso, nove deles estão sendo incriminados por participação em um esquema de lavagem de dinheiro, cada um podendo pegar uma pena máxima de 20 anos de cadeia.

A Grã-Bretanha e a Irlanda informaram nesta terça-feira que investigam informações sobre uma possível utilização de passaportes britânicos e irlandeses falsos por alguns dos suspeitos deste caso.

O Serviço russo de Inteligência Externa (SVR), primeiro na lista dos acusados segundo as autoridades americanas, não quis fazer comentários.

O Kremlin tampouco quis pronunciar-se e estima que o chefe do Estado é o único habilitado a falar.

"Se Dmitri Anatolevich (Medvedev) considerar necessário dizer algo, o único comentário feito será o dele", afirmou um porta-voz da presidência russa à AFP.

Segundo a justiça americana, os suspeitos foram formados pela SVR para "obter informações", "infiltrando-se nos círculos políticos americanos". O desmantelamento da rede é o resultado de dez anos de investigação do FBI.

Os investigadores descobriram um arsenal de meios de comunicação, como uma técnica de codificação de dados em fotografias publicadas em páginas da web de pouca visibilidade e ainda rádios de ondas curtas para entrar em contato diretamente com Moscou.

O caso reúne todos os elementos de um romance de espionagem: mensagens codificadas, dinheiro em espécie entregue por emissários russos durante estadias em países latino-americanos, idas e vindas a Moscou através de Roma, passaportes falsos, transporte e entrega de computadores portáteis...

A SVR é sucessora da KGB, Serviço de Inteligência da União Soviética, onde trabalhou o primeiro-ministro russo Vladimir Putin.

Desde a dissolução da URSS, a contra-espionagem e a inteligência interna são da responsabilidade do Serviço Federal de Segurança (FSB), dirigido por Putin desde 1998 a 1999.

Putin se reunirá nesta terça-feira em Moscou com o ex-presidente americano Bill Clinton, mas eles não devem abordar o caso de espionagem, segundo o porta-voz do primeiro-ministro, Dmitri Peskov, citado pela agência Ria Novosti.

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