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30/06/2010 - 14h44 / Atualizada 30/06/2010 - 14h57

Eleições presidenciais viram humilhação para Merkel

BERLIM, 30 Jun 2010 (AFP) -O que deveria ser uma eleição de rotina para um novo presidente alemão virou um fiasco, nesta quarta-feira, para a chanceler Angela Merkel, depois que membros de sua coalizão quebraram fileiras e refutaram seu candidato, levando a votação para um terceiro turno.

O conservador Christian Wulff perdeu oito votos que lhe garantiriam a maioria absoluta no segundo turno de votação em uma assembleia formada para este fim, integrada por parlamentares e delegados, após perder por 23 no primeiro.

A coalizão de Merkel tinha no papel votos mais que suficientes na votação secreta, mas o novo presidente só será eleito em um humilhante e nervoso terceiro turno para Merkel, quando a maioria absoluta não será mais necessária e o candidato com mais votos vencerá.

Espera-se que Wulff, de 51 anos, vença o terceiro turno, mas o fato de alguns membros da coalizão oficialista de centro-direita terem votado duas vezes contra seu candidato representa um grande golpe para a chanceler, eleita pela revista Forbes a mulher mais poderosa do planeta.

Mas, se o principal candidato da oposição, o popular ex-dissidente da extinta Alemanha Oriental Joachim Gauck, obtiver uma vitória surpreendente porém não impossível, o próprio futuro político de Merkel pode correr riscos.

Uma pesquisa recente publicada no semanário alemão Bild revelou que 48% dos alemães gostariam que ela jogasse a toalha caso isto aconteça, contra 30% que disseram acreditar que ela deveria seguir adiante.

"A coalizão claramente fracassou em dar uma demonstração de unidade e do novo começo que é tão necessário para escapar do colapso em que está mergulhado há semanas", avaliou Oskar Niedermayer, da Universidade Livre de Berlim.

O jornal de negócios Handelsblatt descreveu o "fiasco" como o "primeiro voto de desconfiança" de Merkel.

Gauck, candidato dos social-democratas (SPD, oposição) e dos Verdes, obteve 490 votos no segundo turno, o que significou que 30 membros da assembleia que não militavam nas fileiras dos Verdes ou do SPD votaram nele.

No primeiro turno, ele obteve 499 votos. Lukrezia Jochimsen, do partido Die Linke, de extrema-esquerda, teve 123, três a menos do que no primeiro turno, enquanto o candidato da extrema direita alcançou os mesmos três votos da etapa anterior.

A dor de cabeça de encontrar um novo presidente explodiu no colo de Merkel após a surpreendente renúncia de Horst Koehler, em 31 de maio, depois que ele aparentemente sugeriu que as tropas alemãs no exterior defendiam os interesses econômicos de Berlim.

O caso encerrou uma série de meses turbulentos para Merkel, de 55 anos, depois que ela conquistou um segundo mandato como chefe de governo da maior economia europeia, em setembro, à frente de uma coalizão renovada mais a seu gosto do que por seus vínculos anteriores.

Ela viu sua popularidade despencar pela forma como lidou com a crise na zona do euro e sofreu duros ataques por causa dos planos de cortar os gastos do governo em mais de 80 bilhões de euros (100 bilhões de dólares) nos próximos quatro anos.

A função de presidente é simbólica na Alemanha, uma vez que o chefe de Estado trabalha como uma espécie de árbitro moral. Apesar disso, Koehler era popular e os alemães de fato se importam com quem os representa como a figura por trás da líder Merkel.

Desde 2003, Wulff governa o estado da Baixa Saxônia, lar da Volkswagen, a maior fabricante europeia de carros, sobre a qual o estado tem um controverso poder de veto minoritário.

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