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30/06/2010 - 18h59 / Atualizada 30/06/2010 - 19h01

Espiões estavam infiltrados nos EUA, mas tinham poucos segredos a transmitir

NOVA YORK, 30 Jun 2010 (AFP) -A rede russa de espionagem desmantelada nos Estados Unidos estava bem integrada à sociedade - com conexões em Harvard e na imprensa - mas tinha, ao que parece, poucos segredos para transmitir a Moscou.

Entre os 11 "espiões", uma era jornalista do jornal hispânico La Prensa de Nova York; outro possuía um escritório de consultoria em Massachusetts com conexões na universidade de Harvard e outra, uma imobiliária em Manhattan.

Três dias depois de ter explodido o escândalo, a imprensa americana publicou muitos detalhes sobre os supostos espiões e destacou como estes estavam bem integrados à sociedade, sem despertar suspeitas.

Donald Heathfield cursou em 2000 um mestrado em administração pública em Harvard, onde foi companheiro de classe, segundo o New York Times, do atual presidente do México, Felipe Calderón, entre outras personalidades.

Sua mulher, Tracey Foley, trabalhava em uma imobiliária em Massachusetts. Outra das acusadas, Vicky Peláez, 55 anos, é uma famosa colunista, que atua há mais de 20 anos no jornal La Prensa.

Seu marido Juan Lázaro, ao que parece nascido no Uruguai, foi observado por um agente do FBI ao se encontrar com representantes do governo russo; em 2007 e em 2003 a promotoria assegura que o casal recebeu 10.000 dólares de Moscou.

Outra espiã, Anna Chapman, de apenas 28 anos, tinha a própria agência imobiliária em Manhattan, avaliada em 2 milhões de dólares.

Segundo Bruce Riedel, ex-agente da CIA, esse tipo de dispositivo "era característico do (ex-serviço secreto soviético) KGB, o que não é surpreendente, porque a estrutura do KGB continua existindo e governa a Rússia".

"Consiste em se fundir durante anos na sociedade de um país e tornar-se amigo das pessoas, das quais subtrai informação", comentou Riedel à AFP.

Segundo o especialista, membro do conselho Brookings Institution, com sede em Washington, as redes de espionagem nos países ocidentais repousam em agentes que trabalham para o serviço externo com imunidade diplomática.

Antes de aderir durante anos, ou inclusive décadas, ao "american way of life", os agentes da Rússia receberam treinamento na principal escola de espionagem de Moscou.

"Foram enviados aos Estados Unidos para um serviço de longo prazo", afirma uma das mensagens citadas pela acusação. "Sua educação, conta bancária, carro, casa, etc, tudo isso serve apenas a um objetivo: cumprir sua missão principal, ou seja, tentar desenvolver relações nos círculos de tomada de decisões dos Estados Unidos e enviar relatórios de inteligência".

Uma das agentes, identificada como Cynthia Murphy, comunicou a seus contatos em Nova York "perspectivas sobre o mercado mundial do ouro", qualificadas como "muito úteis" por seus interlocutores.

No entanto, pouco se sabe sobre os "segredos" que a rede de espiões produziu ao longo dos anos. De fato, nenhum dos detidos foi acusado até agora de espionagem porque, ao que parece, nunca conseguiram enviar informação confidencial a Moscou.

Por que a Rússia utilizou uma rede de espionagem deste tipo no lugar de recorrer a informantes mais especializados e sofisticados? É uma das questões que os julgamentos públicos ajudarão a responder.

"É um tipo de operação de inteligência que se coloca em marcha, não para hoje ou amanhã, mas para dentro de vários anos", comentou Riedel, o ex-agente da CIA.

Segundo o especialista, este tipo de rede faz geralmente parte de um dispositivo mais sofisticado e seria um erro subestimá-lo ou assumir que se trata do único tipo de espiões mobilizados por Moscou nos Estados Unidos.

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