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09/07/2010 - 13h50 / Atualizada 09/07/2010 - 13h58

Viena, capital da espionagem internacional

VIENA, 9 Jul 2010 (AFP) -Viena, encruzilhada de diversas ideologias na Europa Central, pode vangloriar-se de ter abrigado mais espiões durante a Guerra Fria e até a queda do Muro de Berlim que nenhuma outra capital do mundo.

O segredo continua sendo partilhado, não mais no plano da política, mas sim no âmbito econômico e tecnológico, segundo o historiador Siegfried Beer, que dirige o Centro Austríaco para Inteligência, Propaganda e Estudos sobre Segurança (ACIPSS).

De acordo com Beer, citado pela BBC, "estima-se atualmente que entre 2 mil e 3 mil agentes e informantes trabalhem em Viena", boa parte são antigos espiões da Guerra Fria transferidos para outras formas de inteligência.

Nesse sentido, Viena mantém uma antiga tradição do segredo, desde o fim do século XIX, desde a chegada de pessoas de todos os cantos do vasto império austro-húngaro para fazer confidências explosivas.

Entretanto, o período mais importante para os agentes secretos foi a Guerra Fria ideológica entre dois blocos, que começou em 1947, dois anos depois da queda do Terceiro Reich e a proclamação da Segunda República Austríaca.

A partir deste momento, Áustria e Viena foram divididas em quatro zonas de ocupação, conforme os termos da Conferência de Potsdam, repartidas entre a União Soviética, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França.

As redes de inteligência, sobretudo a americana CIA e a soviética KGB, começaram ali uma feroz concorrência enquanto os informantes, muitos deles refugiados, estavam dispostos a entregar o menor indício em troca de um pouco de comida.

A obra que melhor representa a atmosfera opressora desta guerra oculta que acontecia na sombra dos edifícios barrocos e nos esgotos foi o filme de Carol Reed "O terceiro homem", inspirado no romance do escritor Graham Greene.

"O terceiro homem", considerado um clássico da sétima arte, onde atuaram Joseph Cotten, Orson Welles, Alida Valli e Trevor Howard, mostra uma cidade na qual se produzem conspirações, assassinatos, sabotagens e traições.

A Áustria, que desejava preservar sua neutralidade proclamada em 1955 e suas relações de boa vizinhança com os países da Europa do Leste, acabava fazendo vista grossa para as atividades dos espiões do Pacto de Varsóvia enquanto sua segurança não era diretamente ameaçada.

Em Viena, sede de inúmeras agências e centros internacionais, foi criada em 1986, próxima ao centro das Nações Unidas (ONU), uma gigantesca cidade para os diplomatas e pesquisadores soviéticos.

Isso aconteceu três anos antes da queda do Muro de Berlim, em 1989, e cinco anos antes da queda da União Soviética.

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