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11/07/2010 - 10h26 / Atualizada 11/07/2010 - 11h19

Milhares de pessoas lembram, na Bósnia, a matança de Srebrenica

SRebrenica, Bósnia-Herzegovina, 11 Jul 2010 (AFP) -Dezenas de milhares de pessoas foram à cidade bósnia de Srebrenica, este domingo, para comemorar o 15º aniversário da matança de 8 mil muçulmanos bósnios pelas forças sérvias da Bósnia, e para sepultar cerca de 800 vítimas identificadas recentemente.

A matança, a pior cometida na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, é um dos episódios mais terríveis na guerra que se seguiu ao desmantelamento da Iugoslávia nos anos 1990.

As cerimônias começaram pouco depois das 11h00 locais (06h00 de Brasília). Várias personalidades estrangeiras eram aguardadas, entre elas o presidente sérvio, Boris Tadic, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.

Dez mil pessoas já haviam estado presentes na noite de sábado em Srebrenica. Entre elas havia 5.000 caminhantes que andaram em sentido contrário a centena de quilômetros que, em julho de 1995, foram percorridos pelos muçulmanos bósnios que fugiam de Srebrenica. Destes, 8.000 foram assassinados após caírem nas mãos das forças sérvio-bósnias.

Os restos de 775 vítimas identificadas da matança serão sepultados, este domingo, no centro memorial de Potocari, perto de Srebrenica, onde já repousam os restos de outras 3.749 vítimas.

Ramiza Gurdic, de 57 anos, sepultará seu filho, Mehrudin, que ainda não tinha 17 anos quando foi assassinado. Os restos do rapaz serão reunidos aos do seu pai e aos de um irmão, que jazem no imenso cemitério de Potocari.

"Como esquecer, como poderia esquecer? Penso neles todos os dias. Pergunto se têm fome, se têm sede", disse Ramiza Gurdic à AFP.

"Vou me deitar com minha dor e acordo com tristeza", comentou a mulher, que voltou a viver em Srebrenica.

Oito mil homens e adolescentes bósnios muçulmanos foram assassinados em questão de dias, em julho de 1995, pelas forças sérvio-bósnias que tinham se apoderado do enclave muçulmano, então uma "zona sob proteção" das Nações Unidas.

As vítimas foram assassinadas a tiros e enterradas em fossas comuns, e depois exumadas e sepultadas de novo indiscriminadamente em mais de 70 lugares, com a finalidade de apagar os indícios da matança.

Os ossos exumados finalmente por especialistas forenses foram sepultados no cemitério de Potocari, depois de serem identificados mediante exames de DNA.

Até agora, foram identificadas 6.500 vítimas.

Este domingo, todos os presidentes dos Estados que faziam parte da antiga Iugoslávia, inclusive o presidente da Sérvia, Boris Tadic, estavam presentes na comemoração.

A presença deste último era motivo de irritação para muitos sobreviventes da matança, que lembravam que o foragido Ratko Mladic, que era comandante das tropas sérvio-bósnias responsáveis pela matança e é acusado de genocídio pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia, ainda estaria escondido na Sérvia.

"Sua assistência não quer dizer nada para mim (...), deveria ter vergonha de vir a Potocari na medida em que não deteve os mais procurados criminosos de guerra, Ratko Mladic e Goran Hadzic", disse um deles.

Durante anos, Belgrado negou a magnitude das matanças, mas em março passado, depois de uma iniciativa de Tadic, o Parlamento sérvio fez formalmente uma declaração na qual condenou o massacre e pediu perdão às famílias das vítimas.

O suposto investigador da campanha de limpeza ética empreendida pelos sérvio-bósnios e dentro desta, a matança de Srebrenica, o líder político Radovan Karadzic, foi detido em Belgrado, em 2008.

Atualmente, ele é processado em Haia por genocídio no Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia.

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