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12/07/2010 - 12h31 / Atualizada 12/07/2010 - 12h33

Dois atentados em Uganda matam 74 pessoas que viam o final do Mundial

KAMPALA, 12 Jul 2010 (AFP) -Ao menos 74 pessoas morreram na noite de domingo em um duplo atentado contra dois restaurantes que exibiam a final do Mundial da África do Sul-2010 em Campala, a capital de Uganda, em ataques reivindicados pelas milícias somalis shebab, ligadas à Al-Qaeda.

Este duplo atentado é o mais mortífero já cometido na África Oriental desde os ataques contra as embaixadas americanas de Nairóbi e Dar es Salaam, realizados por membros da Al-Qaeda e que custaram a vida de mais de 200 pessoas em 7 de agosto de 1998.

Anteriormente, o saldo de mortos era de 64 e de feridos 65. "As nacionalidades das vítimas serão comunicadas mais tarde", declarou à AFP a porta-voz da polícia, Judith Nabakooba.

As duas bombas explodiram num restaurante etíope do sul da capital ugandesa e em um clube de rúgbi do leste da cidade enquanto muitas pessoas acompanhavam a partida entre a Espanha e a Holanda.

Os insurgentes somalis shebab reivindicaram o duplo atentado em uma declaração à imprensa liga por seu porta-voz, Ali Mohamud Rage, em Mogadíscio.

"Somos responsáveis por este ataque porque estamos em guerra com eles", declarou Rage.

"Havíamos advertido aos ugandenses que se abstivessem de qualquer ação (na Somália), nós nos dirigimos a seus dirigentes e ao povo, e eles não nos ouviram".

"Continuaremos com estes ataques se continuarem matando nosso povo. Foi uma medida defensiva contra os ugandenses que vieram ao nosso país e matara nosso povo. Foram represálias a suas ações", acrescentou.

O presidente americano Barack Obama, por sua vez, condenou "os ataques deploráveis e covardes" e afirmou que seu país está disposto a prestar ao governo local a ajuda que precisar, informou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Mike Hammer.

Entre os mortos figura um americano, informou a embaixada americana em Campala.

"Só queríamos ver a partida, e infelizmente fomos para a área etíope", declarou no hospital Chris Sledge, um jovem de 18 anos, que sofreu ferimentos graves nas pernas e em um olho.

O chefe da polícia, Kale Kayihura, havia vinculado o duplo atentado às ameaças feitas recentemente por rebeldes islamitas Shebab na Somália contra Uganda e Burundi, dois países que enviaram um total de 6.000 soldados para a força de paz da União Africana na Somália (AMISOM).

Os shebab, que controlam a maior parte da Somália, consideram que se trata de uma força de ocupação.

A AMISOM foi posicionada em março de 2007 e atualmente sua principal missão consiste em proteger o frágil governo provisório que dirige o país desde janeiro de 2009.

"Como sabem, houve declarações por parte dos shebab e da Al-Qaeda. O terrorismo é uma ameaça nos dias de hoje. Vocês conhecem a região em que estamos e nosso compromisso na Somália", declarou Kayihura na noite de domingo. "Evidentemente, trata-se de terrorismo", acrescentou.

A União Africana (UA) também classificou o ocorrido de "ato terrorista (que) deve ser condenado nos termos mais fortes".

E o presidente somali, Sharif Sheij Ahmed, afirmou que foi um "ato vil e diabólico".

Os shebab ameaçaram recentemente com represálias contra a Uganda e Burundi por sua participação na força da UA na Somália. Apesar de durante os últimos anos esses islamitas afiliados à Al-Qaeda multiplicarem os atentados contra a AMISOM, nunca os haviam cometido até agora fora do território somali.

Em 5 de julho, o chefe dos shebab, Ahmed Abdi Godane, pediu aos somalis que se unam para expulsar a AMISOM do país.

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