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13/07/2010 - 16h29

Físico iraniano está nos EUA "por vontade própria" e "livre para partir": autoridades

WASHINGTON, 13 Jul 2010 (AFP) -O físico nuclear iraniano Shahram Amiri, "levado", segundo Teerã, pelos serviços de inteligência americanos, está nos Estados Unidos "por vontade própria (...) há algum tempo" e é "livre para partir", anunciou nesta terça-feira o Departamento de Estado americano.

O físico afirmou, por sua vez, nesta terça-feira, ter-se refugiado no escritório da representação iraniana em Washington e considerou que os EUA foram os grandes "perdedores" dessa história.

"Desde o dia que minhas declarações foram postas na internet, os americanos perceberam que perderam esse caso", declarou por telefone Amiri à televisão estatal iraniana.

Contou que nos últimos 14 meses esteve "sob enorme pressão psicológica e era vigiado por homens armados".

Não especificou o local onde ficou preso, nem como conseguiu chegar ao escritório da representação iraniana.

"Ele está nos Estados Unidos por vontade própria e, é claro, livre para partir", disse, por sua vez, nesta terça-feira, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley. Ele acrescentou, sem dar muitos detalhes, que o físico permaneceu nos EUA "algum tempo" e havia informado sobre a sua vontade de deixar o país.

"Não posso afirmar" se Amiri forneceu informações sobre o programa nuclear do Irã, disse ainda o porta-voz, que se recusou a comentar a maneira pela qual Amiri chegou aos EUA.

Enquanto o Irã afirma que o seu cidadão sofreu "pressões psicológicas", Crowley disse que não tinha "informação alguma sugerindo que ele tenha sido maltratado enquanto esteve nos Estados Unidos".

Já Hillary Clinton, a chefe da diplomacia americana, destacou o "contraste" entre a situação de Shahram Amiri e a dos três jovens andarilhos americanos detidos há um ano no Irã. Amiri "está livre para partir e esteve livre para vir" aos Estados Unidos, disse ela. "Em contrapartida, o Irã continua a manter três jovens americanos contra a sua vontade em seu país", continuou.

"Após a publicação dos meus comentários na internet e a desonra dos Estados Unidos, eles quiseram me mandar de volta para o Irã sem fazer alarde, através de uma companhia aérea estrangeira, para poderem negar todo o caso", acrescentou Amiri.

Ele também expressou a esperança de "poder voltar o mais rápido possível para seu país".

Desde a ruptura das relações diplomáticas entre o Irã e os Estados Unidos há 30 anos, é a embaixada do Paquistão que abriga o escritório de representação iraniano em Washington. Nesta terça-feira, uma multidão de jornalistas e veículos dos serviços secretos americanos se encontravam na frente do prédio.

Em visita a Madri, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Manouchehr Mottaki, declarou que seu país espera "o retorno sem qualquer impedimento" de Shahram Amiri.

Shahram Amiri desapareceu em junho de 2009 na Arábia Saudita, onde foi para uma peregrinação. Teerã afirma que ele foi levado pelos Estados Unidos com a ajuda dos serviços secretos sauditas.

No final de março, o canal americano ABC afirmou que Amiri, apresentado como um físico nuclear, tinha desertado e colaborava com a CIA.

Segundo a imprensa iraniana, Amiri é um "pesquisador em radioisótopos medicinais da Universidade Malek Ashtar", ligada à Guarda Revolucionária, a elite militar e ideológica do regime islâmico.

No dia 7 de junho, a televisão estatal iraniana exibiu um vídeo onde um homem que se apresentava como Amiri afirmava ter sido capturado pelos serviços secretos americanos e estar preso perto de Tucson (Arizona).

Os Estados Unidos negaram o sequestro do físico.

No final de junho, outro vídeo transmitido pela mídia iraniana mostrou o mesmo homem, alegando ter escapado das mãos dos agentes americanos e estar na Virginia.

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