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14/07/2010 - 18h17

Irã e potências devem retomar negociações sobre programa nuclear

BRUXELAS, 14 Jul 2010 (AFP) -As negociações sobre o polêmico programa nuclear do Irã parecem encaminhar-se para sua retomada no próximo outono do Hemisfério Norte, apesar das recentes sanções votadas na ONU, depois do sinal verde dado pelas grandes potências representadas por Catherine Ashton.

Ashton, máxima responsável pela diplomacia europeia e intermediária das grandes potências no assunto nuclear iraniano, aceitou a princípio uma retomada das negociações com Teerã, revela uma carta divulgada nesta quarta-feira.

Catherine Ashton, em sua mensagem ao negociador iraniano para o tema, Said Jalili, disse que estava "satisfeita" com a vontade deste último em retomar o diálogo, e propôs uma discussão "sobre o momento e o lugar" dessa reunião.

A britânica deseja "retomar essas negociações o quanto antes", afirmou seu porta-voz à AFP.

Segundo uma fonte próxima às conversas, a reunião poderá ocorrer em setembro.

O ministro iraniano de Relações Exteriores, Manuchehr Mottaki, confirmou nesta quarta-feira, em Lisboa, que as negociações sobre o programa nuclear iraniano poderão ser retomadas em setembro, depois das declarações de Ashton em nome das grandes potências.

"Prevemos o mês de setembro", disse Mottaki, em coletiva de imprensa na qual citou essa possível retomada das negociações entre Irã e o grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha).

"Deve haver mudanças na estrutura do grupo 5+1", completou o ministro iraniano. "Novos países poderão unir-se a esse grupo", disse.

Antes de deixar Portugal, na quarta-feira à noite, Mottaki deverá reunir-se com seu colega turco, Ahmet Davutoglu, também em visita a Lisboa, "para falar do acordo tripartite".

Esse acordo entre Irã, Turquia e Brasil prevê a possível entrega por Teerã de urânio levemente enriquecido em troca de combustível para fazer funcionar seu reator de pesquisa médica.

Mas Estados Unidos, Rússia e França não aceitaram formalmente a participação de Brasil e Turquia nas negociações sobre a troca de urânio com o Irã, informaram na segunda-feira fontes diplomáticas, apesar de não excluírem categoricamente essa possibilidade.

A alta representante da União Europeia para os Assuntos Externos, vinculada às seis grandes potências envolvidas no caso nuclear iraniano, afirmou em sua carta que estes seis países estão "sinceramente" desejosos em estabelecer "uma relação mais construtiva com o Irã".

"Nosso objetivo sempre foi chegar a um acordo completo e de longo alcance que reestabeleça a confiança da comunidade internacional em relação ao aspecto pacífico do programa nuclear iraniano, respeitando ao mesmo tempo os legítimos direitos do Irã de utilizar pacificamente a energia nuclear".

No entanto, reiterou que as futuras discussões deverão "centrar-se em torno das questões relacionadas com o programa nuclear iraniano", ainda quando possam ser abordados outros temas.

Caso se confirme essa retomada do diálogo, seria a primeira reunião entre as seis potências e as autoridades iranianas desde o encontro de 1º de outubro de 2009, em Genebra.

No último dia 9 de junho, o Conselho de Segurança da ONU votou uma quarta rodada de sanções financeiras e militares contra o Irã, que se recusa a suspender suas atividades nucleares mais polêmicas, principalmente o enriquecimento de urânio.

As grandes potências suspeitam que o Irã pretende obter a arma atômica sob a fachada de um programa nuclear civil, algo que Teerã sempre negou.

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