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15/07/2010 - 11h37

Herdeira da L'Oréal acusa a filha de querer apressar sua morte

PARIS, 15 Jul 2010 (AFP) -A herdeira da L'Oréal, Liliane Bettencourt, a mulher mais rica da França, se declarou vítima de um "rompante indigno" por parte de sua filha, que aparentemente deseja precipitar sua morte, segundo críticas feitas em um comunicado, um novo capítulo de uma novela jurídico-familiar, que nas últimas semanas, atingiu a alta esfera política do país.

"É um rompante indigno da parte de quem diz querer me proteger", afirmou Bettencourt, de 87 anos, em um comunicado difundido na noite de quarta-feira, horas depois que sua filha, Françoise, voltar a pedir que a justiça coloque sua mãe "sob tutela".

O confronto entre Liliane Bettencourt, terceira fortuna da França, avaliada em 16 bilhões de euros, e sua filha está há meses no âmbito judicial, por uma queixa que Françoise Bettencourt Meyers apresentou contra o fotógrafo François Marie Banier, a quem acusa de abusar da fragilidade de sua mãe, que teria dado para ele cerca de um bilhão de euros em doações.

"Minha filha poderia esperar pacientemente por minha morte, ao invés de fazer todo o possível para precipitá-la", afirmou Liliane Bettencourt no comunicado em que diz que sua filha "está mal aconselhada".

Françoise Bettencourt Meyers pediu na terça-feira a um juiz que coloque sua mãe sob tutela da justiça, medida que já havia solicitado, em vão, no final de 2009.

Liliane Bettencourt se declarou "penalizada e ofendida" por esse novo pedido de sua filha, em uma entrevista ao canal de televisão France 3.

A multimilionária anunciou, além disso, que pediu a seu conselheiro Patrice de Maistre, que organize uma "auditoria independente" das duas empresas, Tethys e Clymene, que gerenciem sua fortuna.

Tanto François Marie Banier quanto Patrice de Maistre, e outras duas pessoas foram presas preventivamente nesta quinta-feira, indicaram fontes ligadas às investigações.

As outras duas pessoas detidas por decisão da brigada financeira da polícia francesa são o ex-advogado de Liliane Bettencourt, Fabrice Goguel, e o gerente da ilha de Arros (arquipélago das Seychelles), Carlos Vejarano.

As detenções, que poderão durar 48 horas, estão relacionadas com o conteúdo de gravações clandestinas entre Bettencourt e seus assessores.

O caso Bettencourt, inicialmente um confronto familiar envolvendo uma grande fortuna, se converteu nas últimas semanas um escândalo político-fiscal que implicou o atual ministro do Trabalho, Eric Woerth, e pôs na defensiva o presidente francês Nicolas Sarkozy.

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