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17/07/2010 - 08h24

Irã acusa os países ocidentais e Israel por atentados contra mesquita

TEERÃ, 17 Jul 2010 (AFP) -O Irã acusou neste sábado os países ocidentais e Israel de estar por trás do duplo atentado suicida que deixou 27 mortos na quinta-feira, no sudeste do país, apesar das condenações expressadas pela União Europeia e os Estados Unidos.

Segundo o chefe adjunto da polícia, Ahmad Reza Radan, citado pela agência Mehr, 40 pessoas foram detidas no dia seguinte ao atentado por "terem provocado distúrbios na cidade de Zahedan", capital provincial do Sistão-Baluchistão.

"Os responsáveis por este crime treinaram e equiparam no exterior das fronteiras e depois vieram para o Irã", afirmou o vice-ministro do Interior, Ali Abdolahi, em declarações difundidas neste sábado no site da tv estatal.

"Este ato terrorista às cegas foi cometido por mercenários do 'mundo arrogante'", acrescentou. "Mundo arrogante" é o termo que Teerã usa para designar as potências ocidentais.

"Aqueles que planejaram este crime e equiparam os que cometeram devem estar conscientes de que são considerados responsáveis", disse ainda Abdolahi, que exortou ao Afeganistão e ao Paquistão a vigiar suas fronteiras.

Na véspera, o grupo extremista sunita Yundallah reivindicou em um comunicado postado em seu site o duplo atentado de quinta-feira contra uma mesquita xiita no sudeste do Irã, que causou a morte de 27 pessoas e 250 feridos.

O Yundallah (soldados de Deus), em rebelião armada na província iraniana do Sistão-Baluchistão, afirmou que o alvo dos atentados era a Guarda da Revolução, a milícia ideológica do regime islâmico iraniano, que realizava sua reunião anual em Zahedan, capital da província.

Os países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, condenaram o duplo atentado que também deixou 250 feridos, mas o presidente do parlamento iraniano, o conservador Ali Larijani, acusou diretamente Washington.

"Os americanos devem responder por este ato terrorista", afirmou.

O ministro do Interior, Mostafá Mohamad Najar, acusou, por sua parte, Israel, inimigo jurado da República Islâmica.

"Os atos terroristas dos sionistas têm um certo número de objetivos, entre eles o de gerar divisões entre xiitas e sunitas", declarou Najar, acrescentando que os serviços de segurança iranianas estão no controle da situação.

O guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu aos "muçulmanos xiita e sunitas que sejam pacientes e mantenham sua unidade", em mensagem dirigida aos habitam da região.

Teerã acusa com frequência os serviços secretos americanos, israelenses, britânicos e paquistaneses de treinar e equipar o Yundallah para desestabilizar o governo.

O Sistão-Baluchistão é cenário há dez anos de uma sangrenta rebelião do grupo Yundallah.

O atentado mais recente até então reivindicado por este grupo, em outubro de 2009, causou a morte de 42 pessoas, entre elas vários oficiais pertencentes aos Guardas da Revolução, as forças de elite iranianas, em Pishin, localidade próxima da fronteira paquistanesa.

Os rebeldes do Yundallah são sunitas, como parte importante da população da província do Sistão-Baluchistão.

A província é uma das menos seguras do país, devido a ações dos rebeldes, mas também devido ao tráfico de droga procedente do Afeganistão, e de numerosas atividades de contrabando.

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