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20/07/2010 - 19h34

Cameron diz a Obama que entende 'irritação' dos EUA com BP

WASHINGTON, 20 Jul 2010 (AFP) -O presidente americano, Barack Obama, recebeu esta terça-feira o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que após a reunião contou que os dois líderes falaram "bastante" da petroleira BP, protagonista do pior desastre ambiental dos Estados Unidos, e disse compreender a "irritação" dos americanos com a companhia.

"Falamos bastante sobre a BP, entendo completamente a irritação que existe em todos os Estados Unidos", disse Cameron após sua primeira reunião na Casa Branca com Obama.

"O vazamento no Golfo do México é uma catástrofe para o meio ambiente, a indústria pesqueira, o turismo. Tenho sido absolutamente claro sobre isso" e "também tenho sido claro em que corresponde à BP selar o vazamento, limpar este desastre e pagar a indenização adequada", acrescentou.

No entanto, Cameron disse que a "BP é uma companhia importante para as economias britânica e americana, e que milhares de empregos, em ambos os lados do Atlântico, dependem dela".

"Por isso, é do interesse dos nossos dois países que continue sendo uma empresa forte e estável no futuro", acrescentou.

A visita de Cameron a Washington ocorre enquanto a BP, empresa crucial para a economia britânica, está desacreditada diante da opinião pública americana por ser responsável pela maré negra no Golfo do México, o pior desastre ambiental da história dos Estados Unidos.

A BP apresentou hoje um novo plano que consiste em jogar lama pesada no sistema de válvula antiexplosão situado sobre o poço e depois injetar cimento na boca do mesmo para selá-lo.

"Ainda estamos na fase de elaboração e preparação", disse o vice-presidente da BP Kent Wells.

"Temos equipes muito experimentadas que vão trabalhar sobre isto nos próximos dois dias", acrescentou.

Este plano se parece com o que a BP aplicou, em vão, no fim de maio, semanas depois da explosão de sua plataforma, Deepwater Horizon, perto da costa da Louisiana, mas com a diferença de que, desta vez, o fluxo de petróleo foi detido.

O almirante da Guarda Costeira Thad Allen, supervisor da resposta oficial americana à maré negra, disse que o plano ainda está nas primeiras etapas, e insistiu em que os dois poços secundários em construção perto do poço principal serão a solução definitiva.

Antes do encontro desta terça-feira, Cameron e Obama afirmaram que a catástrofe não prejudicaria suas relações.

"Não penso que isto afete nossas discussões", declarou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.

"O presidente pretende, obviamente, que a BP cumpra suas obrigações e pague pelos danos e as multas que serão infligidas", acrescentou.

"A BP tem que fazer tudo o que for necessário para selar o poço de petróleo, limpar o vazamento, pagar indenizações", concordou Cameron, em entrevista, esta terça-feira, à rádio americana NPR.

"Eu me reuni com a BP, sei que é o que querem fazer e que o farão", acrescentou.

Além de sua responsabilidade no caso da maré negra, a BP foi mencionada na conversa entre Obama e Cameron por seu papel na libertação do líbio Abdelbaset Ali al Megrahi pela Justiça escocesa, no ano passado.

O líbio foi condenado em 2001 à prisão perpétua pelo atentado, em 1988, contra um avião da extinta companhia americana PanAm, que explodiu em pleno voo sobre a cidade escocesa de Lockerbie, deixando 270 mortos.

Após o encontro, Cameron disse que ordenou uma revisão de todos os documentos sobre a libertação do líbio, embora tenha descartado uma investigação sobre as versões que envolvem a BP.

"Hoje (terça-feira) pedi ao secretário de gabinete que revise todos os documentos e veja se é preciso publicar mais sobre os antecedentes desta decisão", disse Cameron após a reunião na Casa Branca.

Cameron reconheceu, na segunda-fira, que a libertação do líbio por razões humanitárias - ele sofria de um câncer em estágio avançado - havia sido um "erro total".

As versões sobre o papel da BP na libertação do líbio pela Justiça escocesa irritam os Estados Unidos. A BP é acusada de ter exercito pressões sobre as autoridades britânicas para obter a libertação de Megrahi a fim de obter um contrato de exploração de combustíveis na costa da Líbia.

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