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20/07/2010 - 16h16

EUA abrem as portas a presos políticos cubanos e suas famílias

HAVANA, 20 Jul 2010 (AFP) -Os Estados Unidos ofereceram, nesta terça-feira, aos presos políticos cubanos e suas famílias facilidades para emigrar, no âmbito do processo de libertação gradual de 52 dissidentes que, segundo o governo de Havana, poderia abarcar todos os opositores detidos.

Esposas e outros parentes de vários dos presos começaram a se apresentar, nesta terça-feira, em entrevistas individuais ou em pequenos grupos com funcionários do escritório de refugiados da Seção de Interesses de Washington em Havana (SINA), constatou a AFP.

"O governo dos Estados Unidos me abriu as portas. Nesta entrevista, a mensagem foi de que nos dão as facilidades e agilizam os trâmites", disse à AFP Clara, irmã do preso político Fabio Prieto, jornalista de 47 anos, condenado a 20 anos de prisão.

Ao lado dela, no portão da seção consular, Alejandrina García, esposa de Diosdado González (47), sentenciado a 20 anos, explicou que no ano 2000 a SINA negou a seu marido a possibilidade de emigrar como refugiado, mas agora lhe disseram "que o processo será viabilizado".

"Dão um pouco mais de agilidade. Tenho que esperar que meu esposo saia da prisão para consultá-lo. Tomara que não queira emigrar a nenhum país. Caso deseje, será para os Estados Unidos, não para a Espanha ou nenhum outro país", afirmou.

Os funcionários americanos avaliam "caso a caso" e explicam às famílias, "com ou sem entrevista marcada", o "processo de vistos de imigrante, a propósito do programa para refugiados", explicou à AFP uma porta-voz da SINA.

"É um convite bastante geral para as famílias dos presos ou outras pessoas para virem, falarem um pouco sobre as opções, os mecanismos, se eles querem pensar na possibilidade dos Estados Unidos", disse a funcionária, destacando que este processo não tem data para terminar.

Os contatos pessoais substituíram uma reunião prevista para as 13H00 locais (17H00 GMT) desta terça-feira na SINA, que contou com um representante da Igreja e da embaixada da Espanha como convidados, segundo anunciaram parentes dos réus na segunda-feira.

A libertação - em um prazo não superior a quatro meses - de 52 dissidentes remanescentes de um grupo de 75 condenados em 2003, é fruto de um histórico diálogo entre o presidente Raúl Castro e o cardeal Jaime Ortega, instalado em 19 de maio, e acompanhado pela Espanha.

Em entrevista à AFP em Genebra, o presidente do Parlamento de Cuba, Ricardo Alarcón, afirmou esta terça-feira que o governo poderia libertar não só os 52, como todos os opositores com a condição de "que não pesem sobre eles responsabilidades da vida de outras pessoas".

Segundo a ilegal, mas tolerada Comissão Cubana de Direitos Humanos, com a saída da prisão dos 52, a maior libertação em mais de uma década na ilha comunista, restariam 115 presos políticos, a quem Havana considera "mercenários" dos Estados Unidos.

Alarcón acrescentou que aqueles que desejarem permanecer na ilha poderão fazê-lo. O cardeal Ortega, que pessoalmente consulta os réus por telefone, sustenta que deixar Cuba não é uma exigência do governo, enquanto que a oposição rejeita o que qualifica de "desterro".

Do grupo, 20 aceitaram emigrar para a Espanha - 11 na semana passada e outros nove devem fazê-lo nestes dias -, mas de 15 a 20 se negam a deixar o país ou querem ir aos Estados Unidos, onde têm parentes e amigos na comunidade de 1,5 milhão de cubano-americanos que vive em território americano.

"Minha mãe foi em junho para os Estados Unidos, tem 75 anos e leucemia. Minha filha está lá, enfrentando a vida sozinha. Assim, é certo que meu irmão queira que vamos assim que o tirarem da prisão", resumiu Clara Prieto.

Washington expressou satisfação pelas libertações, mas em sua opinião os que quiserem ficar na ilha devem poder fazê-lo.

O cardeal Ortega esteve uma semana nos Estados Unidos em junho, antes que a Igreja anunciasse as libertações, e segundo versões da imprensa, reuniu-se com o vice-secretário adjunto para a América Latina, Arturo Valenzuela.

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