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20/07/2010 - 11h41

Presidente do Parlamento de Cuba diz que outros presos podem ser libertados

GENEBRA, 20 Jul 2010 (AFP) -O presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, disse nesta terça-feira, em entrevista à AFP, em Genebra, que o governo de Havana poderá libertar outros presos políticos, além dos 52 já anunciados e que os ex-detentos, se assim quiserem, poderão permanecer na ilha.

Alarcón recordou que nas conversações entre o governo de Raúl Castro e a Igreja Católica "ficou claro que a vontade do governo cubano é a de tirar da prisão todas as pessoas" não envolvidas em crimes de sangue, desde que não pesem sobre elas responsabilidade sobre a vida de outras pessoas".

Alarcón participa em Genebra de uma reunião de líderes parlamentares de todo o mundo.

"O que diz o acordo mediado pela Igreja Católica é que poderão viajar para o exterior (...), mas em Cuba há pessoas que já foram liberadas da prisão há muitos anos e que ficaram em suas casas", lembrou.

O regime comunista cubano comprometeu-se a libertar gradualmente, num prazo de quatro meses, 52 presos políticos, depois de um diálogo entre o cardeal Jaime Ortega e Raúl Castro.

Semana passada chegaram à Espanha 11 ex-prisioneiros com suas famílias, e nesta terça-feira devem desembarcar mais oito. A viagem havia sido adiada por falta de lugares nos voos regulares, informou à AFP em Madri uma fonte do ministério espanhol de Relações Exteriores.

Segundo cálculos da apenas tolerada Comissão Cubana de Direitos Humanos cubana, com a libertação dos 52 opositores ficariam 115 presos políticos na ilha, aos quais o Governo qualifica de "mercenários" a serviço dos Estados Unidos.

Trata-se das libertações mais importantes desde que Raúl Castro passou a substituir o irmão Fidel, há quatro anos.

O governo socialista espanhol também participou das negociações que conduziram ao acordo sobre a libertação dos 52 presos, e promove uma aproximação da União Europeia (UE) ao regime cubano, através da supressão da chamada Posição Comum.

A Posição Comum da UE, que pede à ilha uma transição para a democracia, foi proposta em 1996 pelo então primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, e passou a determinar a política do bloco em relação a Havana, condicionando o avanço dos vínculos bilaterais à mudança democrática e ao respeito dos direitos humanos.

Dez dos onze presos libertados até agora pediram à UE manter a posição. "Nossa ida para a Espanha não deve ser considerada gesto de boa vontade, mas ação desesperada do regime na busca urgente de crédito de todo o tipo", estimaram, num texto divulgado segunda-feira.

Alarcón pediu, também, que fosse relativizado o número de 167 presos políticos citados, alegando que nela há "pessoas capturadas em Cuba depois da colocação de bombas".

"Alguns desses opositores se ralizarem na Suíça os mesmos atos praticados em Cuba, ficariam presos por muito mais tempo; o mesmo acontecendo se trabalhassem sob as ordens de um governo estrangeiro para derrotar o governo da Confederação Helvética, ou o governo da República Francesa; nos Estados Unidos, a condenação poderia chgar à pena de morte", lembrou.

Referiu-se em particular, entre outros casos, à morte de Fabio di Celmo, um jovem italiano que morreu em setembro de 1997 quando foi acionada uma bomba num hotel de Havana, como parte de uma série de atentados contra instalações turísticas de Cuba.

"Curiosamente, os nossos críticos falam de uma lista (...) Por que não dizem que estão pedindo a liberdade de quem assassinou Fabio di Celmo (...)?, indagou.

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