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21/07/2010 - 18h39

Igreja chilena propõe indulto a militares arrependidos de violações aos DH

SANTIAGO, 21 Jul 2010 (AFP) -A Igreja propôs, nesta quarta-feira, ao governo chileno incluir em um indulto por razões humanitárias militares sentenciados por crimes contra os Direitos Humanos, mas que tenham um grau de responsabilidade menor e demonstrado sinais de arrependimento.

A Conferência Episcopal chilena fez a proposta ao presidente Sebastián Piñera de um indulto aos réus por ocasião do bicentenário da independência do Chile, que se comemora em setembro, e nela pede que não se excluam os militares envolvidos e sentenciados por violar os direitos humanos durante o regime de Augusto Pinochet.

"Não esqueçamos que nem todos eles tiveram a mesma responsabilidade nos crimes cometidos. Em nosso parecer, não cabe nem um indulto generalizado, nem um repúdio geral do indulto para todo ex-militar condenado" por crimes na ditadura, descreve a proposta.

"A reflexão deve distinguir, por exemplo, o grau de responsabilidade que coube a cada um, o grau de liberdade com que agiu, os gestos de humanidade que teve e o arrependimento que manifestou por seus crimes", acrescenta o documento eclesiástico.

Ao fim do encontro com o presidente, no Palácio Presidencial La Moneda, o presidente da Conferência Episcopal do Chile, monsenhor Alejandro Goic, assegurou que a proposta do clero "não busca reabrir as graves feridas do passado, nem tampouco pretende que elas se fechem por decreto".

"Achamos que podem ser dados passos de clemência, agindo no âmbito do estado de direito", acrescenta.

"O presidente vai refletir com respeito a este documento e vai tomar uma decisão com base nos compromissos com a verdade e a justiça, a unidade nacional, a segurança cidadã e as considerações humanitárias", disse a ministra secretária-geral do governo, Ena Von Baer.

Baer, que também é porta-voz oficial, pediu para não antecipar opiniões sobre o tema e anunciou que nos próximos dias será recebida a proposta de indulto elaborada pela Igreja Evangélica.

A proposta eclesiástica foi bem recebida pela direita, que governa o Chile, e repudiada pela oposição.

"É uma visão realista, não vai para extremos, é integradora", disse Patricio Mero, senador da conservadora União Democrática Independente.

Enquanto se celebrava a reunião no Palácio de La Moneda, parentes de vítimas da ditadura chegaram aos arredores da sede do governo para protestar.

"Temos escutado do monsenhor Goic que eles não vão excluir ninguém desta proposta. Ao não excluírem, então incluem os violadores de Direitos Humanos, e isto é inaceitável", disse à imprensa Lorena Pizarro, presidente da Associação de Parentes de Presos Desaparecidos.

Pizarro disse que a Igreja "está dando as costas para as vítimas (da ditadura). Quando se fala em misericórdia, deve-se ver as duas faces da moeda; há muitas senhoras de idade que ainda esperam saber de seus seres queridos".

A ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) deixou 3.000 vítimas, entre mortos e desaparecidos. Mais de 500 militares da época são processados por envolvimento nestes casos.

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