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23/07/2010 - 14h21

Exército venezuelano está a postos na fronteira com a Colômbia

CARACAS, 23 Jul 2010 (AFP) -O exército da Venezuela recebeu ordens de marchar até a fronteira com a Colômbia, segundo o ministro da Defesa, no dia seguinte ao anúncio da ruptura das relações bilaterais pelo presidente Hugo Chávez, acusado por Bogotá de abrigar em seu território guerrilheiros colombianos.

"As forças armadas nacionais bolivarianas mantêm sua preparação operacional estando prontas para obedecer às ordens do comandante-em-chefe e presidente da República", declarou o ministro da Defesa, general Carlos Mata, em uma declaração lida no canal de televisão oficial, VTV.

Ele, no entanto, declarou que a situação à noite foi "normal" ao longo da fronteira de mais de 2 mil quilômetros de comprimento entre os dois países, de acordo com os "mais de 20 mil homens" posicionados no local.

Chávez colocou as tropas em "estado de alerta máximo" na quinta-feira, acusando o presidente colombiano Alvaro Uribe de querer utilizar a questão das guerrilhas como pretexto para atacar seu país.

Uribe, que passará a faixa presidencial para Juan Manuel Santos no dia 7 de agosto, não reagiu ao anúncio venezuelano de ruptura das relações diplomáticas bilaterais.

Os dois vizinhos vêm acumulando divergências nos últimos anos, a ponto de quase entraram em conflito em março de 2008, após o bombardeio por Bogotá de um acampamento da guerrilha marxista das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) no Equador, um aliado de Caracas.

A crise foi resolvida uma semana depois, mas Chávez "congelou" novamente as relações com Bogotá há um ano, depois do anúncio de um acordo sobre a utilização pelo exército americano de sete bases na Colômbia.

Para a analista venezuelana Maruja Tarre, essas novas tensões podem desaparecer depois da posse de Santos, que adotou um tom mais conciliatório com Chávez do que Álvaro Uribe, embora tenha ocupado o cargo de ministro da Defesa da Colômbia.

"A ruptura poderá ser resolvida quando Santos chegar ao poder, mas o problema básico, de fundo, continuará intacto (...). A questão das guerrilhas não estará resolvida e caberá a Santos abordar o assunto", declarou à AFP.

Os países da região começaram a responder à situação.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, encontra-se com Chávez no dia 6 de agosto em Caracas para tentar apaziguar a crise, segundo a presidência brasileira.

O chefe de Estado do Equador, Rafael Correa, que exerce a presidência rotativa da União das Nações Sul-Americanas (Unasur), propôs organizar uma cúpula de presidentes com a participação dos 12 países membros.

Washington, principal aliado de Uribe, considerou que as acusações de Bogotá sobre a presença de guerrilheiros colombianos na Venezuela deveriam ser levadas em consideração "seriamente".

"A Venezuela precisa mostrar à Colômbia e à comunidade internacional através de uma investigação completa tudo sobre essas informações e tomar medidas para impedir a utilização de seu território por parte de grupos terroristas", declarou o departamento de Estado em uma correspondência enviada à AFP.

O embaixador colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Hoyos, apresentou na quinta-feira "provas" (imagens de satélite, coordenadas de GPS, fotos) da presença de 1.500 guerrilheiros e de dezenas de acampamentos rebeldes colombianos na Venezuela, onde, segundo ele, vivem em total impunidade.

Caracas rejeitou, categoricamente, as alegações, denunciando um "circo midiático".

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