UOL Notícias Notícias
 
24/07/2010 - 08h43

Pyongyang ameaça responder com 'dissuasão nuclear' a exercícios militares

SEUL, 24 Jul 2010 (AFP) -A Coreia do Norte ameaçou neste sábado com uma "potente dissuasão nuclear" na véspera de exercícios militares conjuntos entre Coreia do Sul e Estados Unidos, no último episódio de uma escalada de tensão que começou em março com o afundamento de uma corveta sul-coreana.

A Coreia do Norte está preparada para uma "guerra sagrada de represálias", indicou a agência oficial norte-coreana KCNA, que cita a poderosa Comissão de Defesa Nacional, presidida pelo líder do regime comunista, Kim Jong-Il.

Estados Unidos e Coreia do Sul anunciaram exercícios militares conjuntos a partir de domingo, em resposta ao naufrágio da corveta sul-coreana "Cheonan", que, segundo uma investigação internacional, foi torpedeada pelos norte-coreanos -algo que Pyongyang desmente enfaticamente-, deixando 46 marinheiros sul-coreanos mortos.

"O Exército e o povo da Coreia do Norte responderão legitimamente com sua potente dissuasão nuclear aos grandes exercícios de guerra nuclear que serão realizados pelos Estados Unidos e pelas forças-fantoche da Coreia do Sul", segundo a agência KCNA.

Retomando a expressão usada na sexta-feira, a Coreia do Norte voltou a ameaçar com "fortes medidas físicas".

A Coreia do Norte "fortalecerá sua dissuasão nuclear de uma maneira mais diversificada, e tomará fortes medidas físicas (...) agora que os Estados Unidos optaram pelas provocações militares, pelas sanções e por pressões que vão mais além das exigências da comunidade internacional, incluindo o Conselho de Segurança da ONU", indicou a agência KCNA, citando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

O porta-voz, anônimo, não especificou quais seriam essas "medidas físicas".

A tensão na península coreana marcou o Fórum de Segurança da Ásia, realizado em Hanói na sexta-feira com a participação de 27 países, entre eles Estados Unidos, representados pela secretária de Estado Hillary Clinton, e Coreia do Norte.

Hillary aproveitou a ocasião para instar os países asiáticos a continuarem aplicando as sanções da ONU contra Pyongyang, para obrigar o regime a respeitar seu compromisso de desnuclearização.

Em uma demonstração de força, a Coreia do Sul e seu grande aliado Estados Unidos realizarão a partir de domingo exercícios militares em grande escala no Mar do Japão, dos quais participarão 200 aviões e 20 navios.

Os Estados Unidos anunciaram também na quarta-feira sanções complementares contra Pyongyang, com que pretendem impedir a Coreia do Norte de vender e/ou obter armas nucleares ou material relacionado, assim como a lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas.

O regime de Pyongyang se retirou no ano passado das negociações sobre sua desnuclearização, das quais participavam junto com a Coreia do Sul, os Estados Unidos, a Rússia, o Japão e a China. A partir de então, as negociações foram bloqueadas.

Segundo o professor Koh Yu-Hwan, da Universidade de Dongguk, as novas sanções podem enfraquecer a já frágil economia norte-coreana, embora ao mesmo tempo possam ajudar o poder a manter a população sob controle.

As sanções "dariam ao Norte uma desculpa para justificar um controle maior de sua população e, inclusive, para preparar o caminho da sucessão" de Kim Jong-Il, que estaria deixando a liderança para seu terceiro filho, Kim Jong-Un, disse o professor em um artigo para o jornal de Seul Hankook Ilbo.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,59
    3,276
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -1,54
    61.673,49
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host