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25/07/2010 - 17h42

Chávez suspende viagem a Cuba por temor de "agressão" da Colômbia

CARACAS, 25 Jul 2010 (AFP) -O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou a suspensão de uma viagem a Cuba, prevista para este domingo, afirmando contar com "informação de inteligência" que sugere que há riscos de uma "agressão" ao seu país por parte da Colômbia.

"Decidi suspender a viagem que faria hoje a Cuba", disse Chávez, durante ato político.

Segundo o chefe de Estado, "informação de inteligência" que seu governo avaliou permite estabelecer que "a possibilidade de uma agressão armada contra o território venezuelano" a partir da Colômbia "tem uma probabilidade como nunca teve em todos estes anos".

Chávez acusou Washington de ser "o grande culpado" e "o grande instigador" de preparar uma "força de contenção" para apoiar esta eventual agressão, e ameaçou suspender a venda de petróleo aos Estados Unidos caso ocorra um conflito armado.

"Se houvesse uma agressão armada contra a Venezuela, do território colombiano ou de outro lugar, impulsionada pelo império ianque, nós, mesmo que aqui tenhamos que comer pedra, suspenderíamos o envio de petróleo aos Estados Unidos. Não lhes enviaríamos uma gota de petróleo mais", disse o presidente.

Embora Chávez seja um firme opositor de Washington na região, o petróleo venezuelano, que sustenta a economia do país sul-americano, se destina principalmente às refinarias americanas.

A Venezuela rompeu relações com a Colômbia na quinta-feira passada, horas depois de Bogotá denunciar à Organização de Estados Americanos (OEA) a presença "ativa" de 1.500 guerrilheiros colombianos em território venezuelano.

Em resposta a esta denúncia da Colômbia, Chávez descartou, este domingo, a possibilidade de que o seu governo permitisse que forças rebeldes estrangeiras se abrigassem em seu território.

"Nós repudiamos, temos repudiado e repudiaremos sempre a possibilidade de que uma força guerrilheira estrangeira ou paramilitar estrangeira ou militar estrangeira se instale no menor milínimetro quadrado do nosso território soberano", disse Chávez no ato político.

Chávez determinou, na quinta-feira passada, que as Forças Armadas do seu país estivessem em "alerta máximo" na região de fronteira com a Colômbia para prevenir um eventual ataque.

A Venezuela tem mobilizados em sua fronteira com a Colômbia, de 2.000 km de extensão, dois mil homens, segundo fontes militares.

No entanto, o presidente venezuelano abriu, este domingo, uma janela de aproximação com a Colômbia, a partir da posse do presidente eleito do país, Juan Manuel Santos, em 7 de agosto próximo.

"Temos que receber sinais claros e inequívocos de que há uma vontade política real no novo governo da Colômbia para retomar o caminho do diálogo, sem trapaças", escreveu Chávez em sua coluna dominicail, publicada em alguns jornais venezuelanos.

Santos, por sua vez, que faz giro por alguns países da região, recusou-se a falar da crise colombo-venezuelana, enfatizando que o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, "ainda é presidente em exercício".

O rompimento de relações entre Colômbia e Venezuela ativou os mecanismos regionais de resolução de conflitos, com a reação de vários governos e o anúncio de mediação da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que convocou uma reunião de ministros das Relações Exteriores para a próxima quinta-feira, em Quito.

O presidente venezuelano tinha previsto viajar este domingo a Cuba para participar, na segunda-feira, de um ato comemorativo pelo início da Revolução Cubana, marcada pela invasão frustrada ao quartel Moncada, em 1953, por um grupo guerrilheiro liderado por Fidel Castro.

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