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26/07/2010 - 13h53

Do genocídio ao julgamento internacional dos Khmer Vermelhos

PHNOM PENH, 26 Jul 2010 (AFP) -Kaing Guek Eav, conhecido como Duch, que administrou a sinistra prisão S-21 em Phnom Penh, onde 15 mil pessoas foram torturadas em nome da ideologia totalitária do Khmer Vermelho, foi condenado nesta segunda-feira a 30 anos de prisão por um tribunal da ONU.

Seguem os principais elementos sobre os acontecimentos históricos, as acusações e o lento processo até o julgamento dos responsáveis.

O GENOCÍDIO:

- O movimento revolucionário do Khmer Vermelho tomou o poder no Camboja em 17 de abril de 1975. O novo regime, dirigido por Pol Pot e apoiado pela China, aboliu a religião, as escolas e a moeda e esvaziou as cidades para enviar seus habitantes para fazendas coletivas no campo. Cerca de dois milhões de cambojanos, um quarto da população, morreram de exaustão, fome, doenças ou tortura e em execuções ordenadas durante uma vasta perseguição.

O QUE ACONTECEU DEPOIS:

- O Khmer Vermelho foi expulso do poder em 7 de janeiro de 1979 pelas forças de Hanói aliadas a ex-membros do movimento que desertou no Vietnã, como Hun Sen, atual primeiro-ministro. Os Khmer se convertem em rebeldes no norte e no oeste do país, com o apoio militar de Pequim e o assentimento de Washington e seus aliados.

O movimento acabou em meados dos anos noventa. Pol Pot morreu em 1998 e escapou da justiça, como outros protagonistas importantes que morreram posteriormente, como Son Sen e Ta Mok.

O TRIBUNAL:

- Em 1997, o governo cambojano pediu ajuda à ONU para levar ante a justiça os altos ex-dirigentes do regime Khmer Vermelho. Em 2003, firmaram um acordo para a criação de um tribunal cambojano com participação internacional. Esse tribunal, formado em 2006 en Phnom Penh (Câmara Especial nos Tribunais do Camboja, o CETC, sigla em inglês), é uma jurisdição híbrida que tem três línguas de trabalho (khmer, inglês e francês), e deve respeitar complexos procedimentos que incluem as normas internacionais.

O procedimento se caracterizou por atrasos e acusações de interferência do governo cambojano, atrito entre magistrados nacionais e estrangeiros e dificuldades financeiras, além de acusações de corrupção.

Para o processo, foram excluídas as penas de morte e as indenizações financeiras aos sobreviventes.

OS ACUSADOS:

- Além de Duch, quatro dirigentes do Khmer Vermelho devem ser julgados a partir de 2011: o "Irmão número 2", Nuon Chea (84 anos), ideólogo e ex-braço direito de Pol Pot; o ex-ministro das Relações Exteriores Ieng Sary (84 anos) e sua esposa Ieng Thirit (78 anos) e o ex-chefe de Estado Khieu Samphan (78 anos). Os acusados estão detidos em um edifício próximo ao tribunal.

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