UOL Notícias Notícias
 
26/07/2010 - 14h31

Festa em Cuba ensombrecida por ausência de Fidel e sem anúncios de reformas

SANTA CLARA, Cuba, 26 Jul 2010 (AFP) -O presidente de Cuba, Raúl Castro, liderou nesta segunda-feira a maior festa da revolução, marcada pela ausência de Fidel Castro, do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e dos anúncios de uma abertura econômica esperados pelos cubanos.

Raúl Castro, de uniforme de general, presenciou o ato do 26 de julho na Praça Ernesto Che Guevara, na legendária Santa Clara, 280 km a leste de Havana, sem fazer o pronunciamento central do ato.

"Fidel cuja visível recuperação é motivo de profunda alegria para todos os revolucionários (...) está presente e combatendo neste dia que tanto significa para ele e para todos nós", afirmou o número dois de Cuba, José Ramón Machado, ao fazer o discurso.

Ao mesmo tempo, em Bruxelas, o ministro espanhol de Asuntos Exteriores, Miguel Angel Moratinos, reiterou nesta segunda-feira que "todos" os presos políticos de Cuba serão libertados num período de quatro meses ou "até antes"; mas admitiu que ainda não tem o número certo de quantos opositores estão nos cárceres.

"Todos os presos de consciência serão soltos, num período de quatro meses e até antes", assegurou Moratinos depois de reunião, em Bruxelas, com ministros europeus aos quais expôs a situação atual na ilha depois do início do processo de libertação, fruto de um diálogo entre Havana e a Igreja católica.

Aadmitiu, no entanto, que ainda deve ser definido "quem é preso político em Cuba".

Nesta segunda-feira, em Havana, a intensa atividade pública de Fidel Castro, que completa 84 anos em agosto, foi alimentada de expectativas sobre uma possível assistência ao ato, sobretudo depois que Chávez anunciou sua participação, cancelada domingo pela crise entre Colômbia e Venezuela.

"Esperávamos ver o Comandante-em-Chefe e, claro, ouvir Raúl, porque a situação do país está muito dura. Mas vamos continuar lutando", disse Antonia López, de 60 anos, na Praça, onde está o mausoléu onde repousam os restos de Che.

Os cubanos também esperavam que Raúl Castro anunciasse neste dia 26 de julho reformas de peso para enfrentar a crise econômica, como uma abertura à pequena iniciativa privada, mas agora deverão aguardar o 1º de agosto, quando presidirá a sessão do Parlamento.

Em seu lugar, o número dois de Cuba, José Ramón Machado, descartou uma esperada aceleração de reformas econômicas e afirmou que o Governo "continua buscando soluções" para os problemas.

Os cubanos atingidos pela escassez de alimentos e o alto custo de vida, apesar da cesta básica subsidiada, a educação e a saúde gratuitas, aguardam a possibilidade de abrir pequenos negócios, assim como a eliminação de duas moedas e o fim das restrições à compra e venda de casas e carros.

"Continuaremos a estudar, a analisar e tomar decisões que levem a superar nossas deficiências", assinalou o vice-presidente ante 90.000 pessoas que foram à praça.

O Governo enfrenta uma forte crise de liquidez, ineficiência e baixa produtividade, numa economia 95% controlada pelo Estado, afetada pela burocracia, a corrupção, o embargo dos Estados Unidos e o efeito de três furacões em 2008.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host