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26/07/2010 - 09h14

UE adota novas sanções contra o Irã por seu programa nuclear

BRUXELAS, 26 Jul 2010 (AFP) -A União Europeia (UE) adotou nesta segunda-feira um novo pacote de sanções contra o Irã, que afetam principalmente seu setor energético, devido ao polêmico programa nuclear da República Islâmica.

"As sanções foram adotadas durante uma reunião dos ministros das Relações Exteriores em Bruxelas", indicaram as fontes.

As novas medidas vão mais longe que as adotadas em 9 de junho pelo Conselho de Segurança da ONU contra o Irã por sua negativa de suspender suas atividades de enriquecimento de urânio, que o Ocidente vê como prelúdio para a fabricação da bomba atômica.

"Será o pacote de sanções mais importante que a UE adotou contra o Irã ou qualquer outro país", destacou um diplomata europeu no fim de semana, antes do início da reunião.

Em particular, a UE decidiu proibir qualquer investimento europeu, assistência técnica ou transferência tecnológica no setor do gás e do petróleo.

Apesar de o Irã ser o quarto produtor mundial de petróleo, importa até 40% de sua gasolina porque carece de capacidade de refino para satisfazer sua demanda interna.

A Agência Internacional de Energia (AIE) já estimou, em um relatório recente, que as sanções internacionais "deveriam reduzir as necessárias importações de gasolina e de outros produtos" petrolíferos para o Irã e "afetar claramente", a longo prazo, o desenvolvimento das indústrias petroleiras e de gás.

O Irã não será o único afetado pelas sanções. Várias empresas europeias também serão punidas.

"Vários Estados-membros (da UE) tiveram que superar problemas consideráveis, devido a seus interesses econômicos para aprovar o pacote" de sanções, destacou um diplomata.

Além da energia, o setor iraniano do transportes de carga, fundamentalmente a companhia marítima IRISL e suas filiais, serão muito afetados e serão intensificados os controles nos portos europeus.

A UE também tem a intenção de restringir as possibilidades de intercâmbios comerciais com o Irã, limitando os créditos à exportação, de ampliar a proibição da atividade dos bancos iranianos e de acrescentar quarenta nomes à lista de pessoas às quais não serão outorgados vistos europeus. Seu principal alvo é a Guarda Revolucionária, exército ideológico do regime.

Estados Unidos e Austrália já tomaram medidas de magnitude similar e o Canadá seguirá seu exemplo. Até mesmo a Rússia, que durante muito tempo esteve mais perto do Irã que dos países ocidentais, acaba de manifestar sua preocupação com o fato de que o Irã esteja agora "perto de ter potencial para equipar-se com a arma nuclear".

Desta forma, a Europa e os países ocidentais esperam convencer o Irã a voltar com eles à mesa de negociações para que aceite delimitar seu programa nuclear.

Pressionado, o Irã já parece estar flexibilizando sua posição.

O país anunciou, este domingo, em Istambul, que está disposto a iniciar imediatamente negociações com potências ocidentais sobre os detalhes de uma proposta de intercâmbio de combustível nuclear, feita em maio, após um acordo com Brasil e Turquia, mas que foi rejeitada na ocasião por ser considerada insuficiente.

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