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28/07/2010 - 20h39

Argentina e Uruguai concordam em monitorar fábrica de celulose na fronteira

BUENOS AIRES, 28 Jul 2010 (AFP) -Argentina e Uruguai concordaram nesta quarta-feira em criar um programa de monitoramento ambiental da fábrica de celulose localizada no lado uruguaio do rio que separa os dois países, colocando fim a um tenso conflito que se prolongou por sete anos.

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, disse que o acordo contempla "a criação de um comitê científico em um prazo de 30 dias que trabalhará no monitoramento ambiental junto à Comissão Administradora do Rio Uruguai (Caru)".

Almagro e seu colega argentino, Héctor Timerman, fizeram o anúncio na residência presidencial de Olivos (periferia norte de Buenos Aires), no fim de uma reunião entre os presidentes de Argentina, Cristina Kirchner, e Uruguai, José Mujica.

O chanceler uruguaio manifestou sua "profunda satisfação em retomar um programa de monitoramento" e "sua alegria de ter chegado a este momento com o trabalho fecundo de ambos os governos".

"Se encerra um capítulo de nossa história e começa a etapa da cooperação", afirmou, por sua vez, Timerman, encarregado de ler diante dos jornalistas os seis pontos do convênio firmado.

O monitoramento estará nas mãos de um comitê que será formado em 30 dias na Caru, integrado por dois cientistas argentinos e dois uruguaios eleitos por cada país.

O controle incluirá o "rio Uruguai e todos os estabelecimentos industriais, agrícolas e centros urbanos (...) em suas áreas de influência", segundo o acordo.

A autoridade de aplicação do convênio tomará amostras, com a utilização de sensores e de outros instrumentos tecnológicos, e o número máximo de vistorias em cada estabelecimento será de até 12 vezes ao ano.

A informação obtida será pública e o monitoramento começará com a fábrica da UPM (ex-Botnia) e a desembocadura do rio Gualeguaychú no Uruguai, e continuará na Argentina com um estabelecimento ou local a escolha da parte uruguaia.

O governo argentino confia que o acordo interromperá de forma definitiva os protestos dos ambientalistas de Gualeguaychú (230 km a leste de Buenos Aires), localizada na margem oposta à fábrica de pasta de celulose.

As populações locais resistiram à instalação da fábrica e mantiveram bloqueada por mais de três anos e meio uma das três pontes internacionais que unem ambos os países.

O conflito trouxe tensão às tradicionais boas relações entre Argentina e Uruguai e, por iniciativa do governo argentino, chegou até a Corte Internacional de Justiça de Haia, que é a jurisdição prevista no Tratado Binacional de Administração Compartilhada do Rio Uruguai.

Em abril passado, o tribunal concluiu que a Argentina não tinha dado "provas conclusivas" de que a fábrica da UPM estava contaminando o rio e exigiu que ambos os países realizassem um monitoramento ambiental conjunto.

A decisão de Haia não satisfez os ambientalistas, que finalmente concordaram em suspender o bloqueio da ponte internacional para permitir as negociações para um monitoramento da fábrica e do rio.

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