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30/07/2010 - 16h36

Presidente da Câmara italiana desafia Berlusconi

ROMA, 30 Jul 2010 (AFP) -Gianfranco Fini lançou nesta sexta-feira um desafio a seu ex-aliado Silvio Berlusconi, recusando-se a pedir demissão da Presidência da Câmara dos Deputados e se apresentando como um defensor da "legalidade" na Itália, num momento de deserções nas tropas do governo.

Trinta e dois aliados anunciaram que deixavam o Partido do Povo da Liberdade (PDL), a grande formação de direita fundada em março de 2009 por Berlusconi. Esses deputados, entre os quais estão vários ministros, criaram um grupo autônomo na Câmara baixa, "Futuro e Liberdade para a Itália", o que poderá deixar o chefe de governo sem a maioria absoluta.

Fini anunciou que esses políticos "não hesitarão em se opor a escolhas do Executivo injustas ou contrárias ao interesse geral", mas que "apoiarão" o governo quando apresentar medidas que estiverem em conformidade com o programa do PDL.

Na quinta-feira à noite, após meses de tensões crescentes entre os dois aliados, Berlusconi pressionou Fini a deixar a Presidência da Assembleia por considerar suas posições "incompatíveis" com as de seu partido.

"Evidentemente, não me demitirei porque todos sabem que o presidente deve garantir o respeito à Constituição e à conduta imparcial da atividade da Câmara, e não apenas à maioria que o elegeu", respondeu Fini, apresentando-se como garantidor da "legalidade".

Berlusconi dispunha até então de uma confortável maioria -342 assentos, enquanto a maioria absoluta é de 316, graças principalmente ao apoio do partido populista da Liga do Norte, seu outro grande aliado. Mas ele poderá ter dificuldades a partir de agora para aprovar textos cruciais, como suas reformas do judiciário, e será obrigado a negociar com deputados indecisos.

Apesar de alguns políticos da oposição já considerarem seu governo acabado, Berlusconi afastou esse panorama. "Não há risco algum. Possuímos a maioria", assegurou "Il Cavaliere", rejeitando a possibilidade de eleições antecipadas antes da 2013.

O principal grupo da oposição, o Partido Democrata (PD), estimou que o governo Berlusconi "havia deixado de existir". Seu presidente, Pier Luigi Bersani, exigiu a formação de um gabinete de transição tendo como base uma plataforma de medidas compreendendo leis eleitorais, iniciativas econômicas e sociais assim como normas contra a corrupção.

"Não se pode esperar um barco flutuar com tantas brechas", disse.

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