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30/07/2010 - 18h32

Presidente sírio e rei saudita pedem a libaneses evitar a violência

BEIRUTE, 30 Jul 2010 (AFP) -O presidente sírio, Bashar al Assad, e o rei saudita Abdullah, durante visita histórica a Beirute, pediram nesta sexta-feira aos libaneses que evitem a violência, quando uma nova crise relacionada ao assassinato do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri ameaça o país.

"Os dirigentes destacaram a importancia da estabilidade (...), do compromisso dos libaneses em não recorrer à violência e da necessidade de que prevaleçam os interesses do Líbano acima de qualquer interesse sectário", segundo um comunicado divulgado depois de uma reunião entre o presidente libanês Michel Sleimane, o rei Abdullah e Assad.

Os três também destacaram a necessidade de "basear-se em instituições legais e constitucionais e num governo de unidade nacional para resolver as divergências", segundo o texto publicado depois desta visita de quatro horas.

As duas potências regionais querem evitar uma nova crise no país, depois das declarações feitas, em 22 de julho, pelo chefe do Hezbollah xiita, Hassan Nasrallah, que acusou membros de seu partido de envolvimento no assassinato de Hariri, dizendo esperar que sejam acusados pelo Tribunal Especial para o Líbano, criado pela ONU.

Rafic Hariri, ex-primeiro-ministro libanês que se opôs à hegemonia de Damasco no Líbano, morreu, junto com outras 22 pessoas, em um atentado com carro-bomba em Beirute, em 14 de fevereiro de 2005. A Síria sempre negou qualquer envolvimento no crime.

Criado em 2007 por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, o Tribunal Especial para o Líbano deve julgar os supostos autores dos ataques terroristas nesse país, entre eles os autores do assassinato de Hariri.

A perspectiva de um questionamento do grupo armado faz temer que voltem a ocorrer as violências de caráter religioso registradas em 2008 entre partidários do atual primeiro-ministro e o filho de Hariri, o sunita Saad Hariri, e os do partido xiita, que deixaram cerca de cem mortos.

Também existem temores de uma possível nova guerra entre o Hezbollah e Israel, que, nos últimos meses, acusou o partido xiita de armazenar milhares de foguetes.

"As duas próximas semanas serão cruciais", afirmou Shadi Hamid, diretor do centro de pesquisas Brookings Center. "Há um risco de escalada, de violências sectárias e todos os atores envolvidos estão conscientes deste risco", acrescentou.

"Devem tomar medidas preventivas para desativar a crise antes que esta escape do controle nas próximas semanas e meses", acrescentou.

Os dois primeiros informes da comissão de investigação da ONU concluíram que há provas convergentes que comprometem os serviços secretos libaneses, mas Damasco nega qualquer envolvimento.

Depois do assassinato de Hariri, as relações entre a Síria, que apoia o Hezbollah, e a Arábia Saudita, muito ligada à família Hariri, se distenderam e os dois países procederam a uma aproximação em 2009.

Para Fuad Siniora, nomeado primeiro-ministro depois do assassinato de Hariri e atualmente deputado, as visitas dos dirigentes árabes refletem a difícil conjuntura pela qual passa o Líbano.

"A tensão atual é fruto de intimidações, mas também não quero subestimar que haja tentativas de levar o Líbano a um conflito", afirmou Siniora à AFP.

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