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30/07/2010 - 16h17

Sarkozy endurece o tom sobre a segurança e a imigração

GRENOBLE, França, 30 Jul 2010 (AFP) -O presidente Nicolas Sarkozy declarou nesta sexta-feira "guerra" à criminalidade e anunciou um endurecimento de sua política de segurança e imigração.

Nicolas Sarkozy reiterou a vontade de realizar "uma guerra nacional" contra "vadios e traficantes" num forte pronunciamento em Grenoble (centro-leste), palco recente de três noites de violência após a morte de um delinquente durante um tiroteio com a polícia.

O chefe de Estado anunciou a intenção de retirar a nacionalidade francesa "de todas as pessoas de origem estrangeira que tenham volutariamente atentado" contra a vida de um policial ou gendarme.

Atualmente, a retirada de nacionalidade é limitada a casos excepcionais, como o terrorismo. O governo pretende incluir a poligamia nessa iniciativa.

O presidente deseja, igualmente "que a aquisição da nacionalidade francesa por um menor que tenha cometido crimes não seja mais automática, no momento da maioridade".

Nicolas Sarkozy também prometeu "estabelecer uma pena de prisão sem direito a qualquer benefício, de 30 anos, para os assassinos de policiais ou de gendarmes, um tema que deverá ser discutido pelo Parlamento depois do recesso".

Esta retomada do interesse do chefe de Estado pela questão da segurança, que foi um dos motivos de seu sucesso no pleito de 2007, data de há alguns meses. Após as eleições regionais catastróficas para a direita, em março, ele começa a preparação para as presidenciais de 2012.

Atualmente complicado por um assunto político-fiscal, no qual está envolvido seu ministro do Trabalho Eric Woerth, encarregado da reforma crucial das aposentadorias, e no ponto mais baixo nas sondagens, Sarkozy quer apoiar-se em pesquisas mostrando que a delinquência ainda é uma forte preocupação dos franceses.

Nesta semana, o governo já anunciou um endurecimento de sua política de desmantelamento de acampamentos ilegais de ciganos vindos da Europa central.

"Devemos pôr um ponto final nesses acampamentos. Eles constituem zonas de não-direito que 'não se pode tolerar", repetiu nesta sexta-feira Nicolas Sarkozy.

Ele também desejou "uma avaliação dos direitos e prestações de serviços aos que têm acesso, hoje, os estrangeiros em situação irregular". Isto pode significar o questionamento da ajuda médica gratuita aos ilegais.

"Fazer um discurso sobre a criminalidade centrada, apenas, na retirada de nacionalidade, na imigração, após ter mantido uma reunião no palácio do governo sobre os ciganos e os Romas, é o mesmo que assimilar estrangeiros e pessoas de origem estrangeira à delinquência", indignou-se a Liga do Direitos do Homem (LDH).

A oposição socialista reprova a Sarkozy "falar muito para fazer esquecer seu fracasso" em relação à segurança desde 2002, quando foi ministro do Interior e, depois, presidente, destacando que o chefe de Estado é "responsável pela supressão de 11.000 postos de trabalho de policiais e gendarmes desde 2007.

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