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01/08/2010 - 14h27

Número de mortos em inundações passa de 1.100 no Paquistão

PESHAWAR, Paquistão, 1 Ago 2010 (AFP) -O número de mortos nas inundações sem precedentes que atingiram o noroeste do Paquistão passou de 1.100 neste domingo, no momento em que milhares de afetados vivem em condições precárias sob a ameaça des epidemias após os primeiros casos de cólera.

Mais de 1.100 pessoas morreram na província de Khyber Pakhtunkhwa; e pelo menos quarenta, na Caxemira paquistanesa, segundo as autoridades.

"As inundações mataram mais de 1.100 pessoas em diferentes áreas da província de Khyber Pakhtunkhwa e afetaram mais de 1,5 milhão", anunciou o ministro da Informação da província, Mian Iftikhar Hussain. "Esta é a pior inundação na província de Khyber Pakhtunkhwa e da história do país", declarou.

"Quarenta e sete pessoas morreram e 39 ficaram feridas nas inundações em várias partes de Muzaffarabad", capital da Caxemira paquistanesa, desde a semana passada, de acordo com Farooq Niaz, responsável pelo centro de gestão de catástrofes.

Por volta de 850 famílias estão desabrigadas nesta zona em decorrência das cheias provocadas pelas chuvas de monção.

Segundo as Nações Unidas, as inundações afetaram um milhão de pessoas e várias localidades continuam isoladas.

Os Estados Unidos prometeram conceder uma ajuda de 10 milhões de dólares ao Paquistão e fornecer helicópteros, barcos e material de resgate para ajudar o país atingido por inundações que deixaram mais de 1.000 mortos, anunciou a secretária de Estado Hillary Clinton neste domingo.

A China, que também foi duramente atingida pelas intempéries no nordeste, onde as autoridades registraram as piores cheias em uma década, anunciou uma ajuda de 10 milhões de iuanes (1,5 milhão de dólares), segundo a agência oficial Nova China, citando um site do governo.

A Comissão Europeia já havia anunciado no sábado o desbloqueio de 30 milhões de euros de ajuda humanitária para o Paquistão.

A província mais atingida é a de Khyber Pakhtunkhwa (antiga província da Fronteira do Noroeste), localizada na fronteira com o Afeganistão e que tem Peshawar como capital.

"Pelo menos 713 pessoas morreram em Peshawar, Nowshera e Charsada, enquanto o registro nos distritos de Shangla e Swat passa de 300 mortos", declarou Hussain. Mais de 3.700 casas foram destruídas, segundo o ministro.

"Recebemos também informações confirmadas que indicam os primeiros casos de cólera em alguns setores do (Vale do) Swat", acrescentou.

"Nossas equipes de resgate tentam também retirar cerca de 1.500 turistas presos nas cidades de Kalam e Berhain, no distrito de Swat", acrescentou.

Imagens divulgadas pela televisão e fotos tiradas de helicópteros mostram pessoas em cima de muros ou dos telhados das casas para tentar fugir das correntezas.

Em Peshawar, cidade com 3 milhões de habitantes, cerca de 300 pessoas protestaram, gritando palavras de ordem contra o governo provincial, acusado de não fornecer ajuda, constatou um jornalista da AFP.

"Construí uma pequena casa de dois cômodos no subúrbio de Peshawar com o dinheiro que ganhei com o suor do meu rosto, mas perdi tudo nas inundações", explicou Ejaz Khan, de 53 anos, durante a manifestação.

"O governo não nos ajuda (...) A escola onde me abriguei está cheia de gente, sem comida ou remédios", acrescentou.

O Exército anunciou o envio de barcos e helicópteros para ajudar as pessoas afetadas, enquanto militares trabalham na desobstrução das estradas. Segundo as autoridades, a estrada que liga Islamabad a Peshawar foi liberada.

"Ainda não temos uma visão global da situação por causa do corte de comunicações", declarou Manuel Bessler, do Gabinete de Coordenação de Questões Humanitárias das Nações Unidas (Ocha).

No vizinho Afeganistão, as inundações e deslizamentos de terra no leste do país deixaram pelo menos 65 mortos, segundo as autoridades locais>.

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