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04/08/2010 - 17h24

BP realiza com sucesso procedimento para selagem de poço

NOVA ORLEANS, EUA, 4 Ago 2010 (AFP) -A operação da petroleira britânica BP que conseguiu tapar o vazamento do poço danificado no Golfo do México foi comemorada nos Estados Unidos, mas o governo alertou que o impacto dos mais de 100 dias de derramamento poderá durar "décadas".

A BP anunciou na primeira hora desta quarta-feira que a primeira parte da operação para selar definitivamente o poço avariado, iniciada na terça-feira, atingiu "o objetivo desejado".

"A longa batalha para deter o vazamento e conter o petróleo está finalmente chegando ao fim. E estamos muito contentes com isso", declarou o presidente Barack Obama sobre a operação para selar o poço com barro e cimento.

Contudo, Obama disse que os "esforços de recuperação continuarão", pois há de se "reverter o dano que foi feito".

De fato, "acompanhamos preocupados o impacto a longo prazo" do derramamento, disse Jane Lubchenco, titular da Administração Nacional de Assuntos Oceânicos e Atmosféricos (NOAA), em coletiva na Casa Branca.

A flora e a fauna submarinas se viram afetadas pelo vazamento durante três meses e sofrerão os efeitos da contaminação durante "anos e, possivelmente, décadas", completou Lubchenco.

No entanto, a funcionária disse estar otimista sobre as consequências da contaminação dos produtos marinhos destinados ao consumo humano, afirmando que os organismos degeneram naturalmente os hidrocarbonetos em algumas semanas.

De qualquer forma, as autoridades americanas continuarão realizando análises no longo prazo para assegurar a qualidade desses produtos, disse Lubchenco.

Apesar dessa preocupação, o governo americano mostrou otimismo sobre o sucesso da operação da BP para selar o poço.

"Alcançamos uma condição no poço que nos permite ter uma grande confiança de que não haverá vazamento de petróleo no ambiente", disse o almirante Thad Allen, responsável do governo para supervisionar a luta contra o derramamento.

Allen disse que ainda se avalia se será feita agora a tentativa de selar definitivamente o poço, ou se vão esperar até que um poço auxiliar fique pronto, ainda neste mês, algo que ele considera uma solução final.

De fato, a BP continuará perfurando para criar este segundo poço, que permitirá selar a parte inferior do poço danificado, com o qual ficaria definitivamente tapado.

O vazamento de em torno de 4,9 milhões de barris (780 milhões de litros) de petróleo depois da explosão de uma plataforma da BP no golfo em 20 de abril, que deixou 11 mortos, causou a pior catástrofe ambiental na história americana.

A mancha de óleo afetou os ecossistemas e a economia local de cinco estados do sul dos Estados Unidos: Alabama, Flórida, Louisiana, Mississippi e Texas.

Além do anúncio do sucesso da operação, os habitantes desses estados também foram informados pelo governo federal de que cerca de 75% do petróleo derramado conseguiu ser eliminado de suas águas, por evaporação, dispersão, queima ou coletado pelos barcos.

A catástrofe custará milhões de dólares para a BP, aos quais se soma o desprestígio causado pelas tentativas falhas de frear o derramamento e os erros de comunicação de seu presidente, Tony Hayward, que anunciou sua demissão para outubro.

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