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05/08/2010 - 13h09

Naomi Campbell e a espinhosa questão dos "diamantes de sangue" na África

JOHANNESBURGO, 5 Ago 2010 (AFP) -O depoimento da top model Naomi Campbell nesta quinta-feira, durante o julgamento do ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, põe de novo em evidência a questão dos "diamantes de sangue" - um verdadeiro flagelo que atinge toda a África, de Serra Leoa ao Zimbábue.

A manequim admitiu no tribunal de Haia ter recebido em 1997 diamantes brutos, "pedras de aspecto sujo", as quais, presume, tenham sido oferecidas por Charles Taylor, julgado por crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

Taylor é acusado de ter trocado diamantes por armas durante a guerra civil em Serra Leoa (1991-2001) que fez 120.000 mortos.

"O testemunho de Campbell faz-nos lembrar as destruições causadas por indivíduos ávidos de poder que exploram ilegalmente recursos naturais de seu país para liderar ondas de violência e crueldade contra a população civil", estimou em comunicado Oliver Courtney, porta-voz da ONG Global Witness.

Na África, não faltam exemplos do tráfico de diamantes que permitam financiar conflitos mortíferos ou associados a graves violações dos direitos humanos, como em Serra Leoa, denunciados no filme "Blood Diamond" (2006), em Angola, Costa do Marfim, República Democrática do Congo (RDC), Guiné, Congo, ou Zimbábue.

Para eliminar do mercado mundial os diamantes extraídos ilegalmente para financiar grupos armados ou conflitos, as Nações Unidas decidiram reagir e votaram, em 2000, a criação de um mecanismo de certificação de diamantes.

O Sistema de certificação do processo de Kimberley (KPCS), lançado em 2002 nesta pequena cidade sul-africana, acompanha seus membros e exige que as exportações internacionais sejam autenticadas com a rubrica "sem conflito".

A iniciativa, que permitiu reduzir o tráfico de "diamantes de sangue" no mundo, foi saudada por militantes dos direitos do Homem, mas ainda há muito a fazer, principalmente no Zimbábue, destacaram.

Global Witness, ONG especializada na proteção de recursos naturais, aproveitou nesta quinta-feira o depoimento de Naomi Campbell para fazer pressão sobre o Zimbábue, onde graves violações dos direitos do homem foram assinaldas nas minas de Marange (leste).

Investigadores do processo de Kimberley acusaram militares de expulsar com violência pequenos mineradores e terem recorrido ao trabalho forçado, às vezes de crianças, na zona.

Mas reconheceram, depois, os progressos realizados no Zimbábue em relação a isso e autorizaram o país, em julho, a vender sob supervisão, uma certa quantidade de diamantes das minas de Marange.

"Uma vez mais, lamentou a Global Witness, a riqueza trazida pelos diamantes reforça um sistema de violência, de abusos e de atividades ilícitas com suas terríveis consequências para a população, que deveria, justamente, beneficiar-se dos recursos naturais do país".

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