UOL Notícias Notícias
 
05/08/2010 - 15h27

Reabertura de investigação sobre filha do ex-presidente Fujimori agita Peru

Lima, 5 Ago 2010 (AFP) -A reabertura de uma investigação contra Keiko Fujimori para conhecer a procedência do dinheiro que permitiu a ela estudar nos Estados Unidos durante o mandato do seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, causou grande agitação no Peru, onde ela é candidata à presidência com boas chances de se eleger em 2011.

A procuradora-geral peruana, Gladys Echaíz, dispôs-se esta quarta-feira a investigar Keiko Fujimori e seus três irmãos por suposta cumplicidade no enriquecimento ilícito atribuído ao pai, que governou o país na década passada.

Após ser notificada da investigação, Keiko Fujimori reagiu com irritação e disse que se trata de "um complô e o início de uma campanha de descrédito contra minha candidatura presidencial, à qual se está prestando a procuradora Echaíz".

Ela acrescentou que há um mês o procurador Jaime Schwartz arquivou uma investigação sobre o mesmo tema e, por isso, considera que a nova gestão é perseguição política estimulada "pelo avanço do fujimorismo".

A procuradora Echaíz respondeu afirmando que a investigação que ordenou "não tem nenhuma intenção política, eleitoral ou de outra índole, mas se registra dentro dos aspectos técnicos jurídicos da instituição".

Fontes da Procuradoria-geral que pediram para ter sua identidade preservada disseram à AFP que a investigação realizada pelo procurador Schwartz teve falhas e por isto Echaíz decidiu reabri-la.

Keiko Fujimori e seus irmãos, Kenji Gerardo, Hiro Alberto e Sachi Marcela estudaram em universidades de Boston, Nova York e Kansas.

Segundo meios de comunicação, estes estudos são o calcanhar de Aquiles dos irmãos Fujimori, devido a que, de acordo com estas fontes, as despesas estimadas em 350.000 dólares não poderiam ter sido pagas com o salário do pai, quando este exercia a presidência, que não passava dos 800 dólares mensais.

Um dos argumentos contra os quatro irmãos é o depoimento de Vladimiro Montesinos, ex-braço direito do ex-presidente, que declarou a um promotor, em 2001, que mandava 20.000 dólares mensais aos Estados Unidos para pagar os estudos de Keiko e seus irmãos com recursos do serviço de inteligência que chefiava.

Em sua defesa, Keiko Fujimori disse que várias vezes manifestou que seus estudos foram custeados pela venda de uma casa que seu pai tinha em um bairro residencial de Lima.

A investigação gerou várias reações, como a do presidente da Suprema Corte de Justiça, Javier Villa Stein, segundo quem "há que se ter muito cuidado, principalmente quando se trata de candidatos à presidência", embora tenha dito que tem as melhores referências sobre a procuradora Echaíz.

O presidente do Conselho de Ministros, Javier Velásquez, disse que a investigação "é um excesso" e que os argumentos jurídicos apresentados pela defesa de Fujimori "é sólida".

Organismos de direitos humanos saudaram, por sua vez, a decisão da promotora Echaíz, considerando-a acertada.

Diversas pesquisas situam Keiko Fujimori nos dois primeiros lugares nas preferências do eleitorado frente às eleições presidenciais de abril de 2011, ao lado do atual prefeito de Lima, Luis Castañeda.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,31
    3,266
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,60
    62.662,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host