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08/08/2010 - 15h46

Chávez pede à guerrilha colombiana libertar "todos os reféns"


Caracas, Venezuela

O presidente da Venezuela Hugo Chávez aconselhou neste domingo (8) a guerrilha colombiana Farc a libertar "todos os reféns", como parte de um "novo processo de paz" vivido na Colômbia, com a chegada ao poder de Juan Manuel Santos.

"A guerrilha deveria manifestar-se pela paz, mas de forma contundente. Por exemplo, com a libertação de todos os sequestrados. Por que mantê-los assim?", indagou Chávez em seu programa de rádio e televisão 'Alô Presidente'.

"Creio que estamos num novo momento de busca da paz. Digo a vocês, assim como o governo da Colômbia propõe o caminho da paz, a guerrilha também (...) deve fazê-lo", acrescentou o presidente, acusado recentemente na OEA, por Bogotá, de dar refúgio a guerrilheiros.

A guerrilha colombiana das Farc completou 46 anos em maio e está em seu pior momento militar, obrigada a recorrer a uma estratégia de pequenos golpes, emboscadas e atentados para manter viva o que chama de "a guerra negada pelo governo para não reconhecer o caráter político da insurgência".

Enfraquecida após a morte, em 2008, de três dos sete membros de seu comando central - o chamado Secretariado, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que surgiram em 1964 de um movimento de resistência na região de Marquetalia para reivindicar o direito dos camponeses à terra, estão longe de desaparecer.

Com um contingente estimado entre 6.000 e 7.000 homens, contra os 20 mil de oito anos atrás, as Farc mantêm presença em zonas de plantação de coca, da qual obtêm entre 400 e 600 milhões de dólares por ano, segundo o ministério colombiano da Defesa do governo anterior.

O novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ofereceu diálogo à guerrilha de seu país caso abandone a violência e interrompam os sequestros, em seu discurso de posse no sábado, em Bogotá.

"Aos grupos armados ilegais que invocam razões políticas e hoje falam mais uma vez em diálogo, digo que meu governo estará aberto a qualquer conversa que busque a erradicação da violência e a construção de uma sociedade mais próspera, equitativa e justa", disse Santos.

O presidente afirmou que o eventual diálogo deve ocorrer "sobre as premissas inalteráveis da renúncia às armas, ao sequestro, à extorsão, ao narcotráfico e à intimidação".

Há uma semana, em um vídeo, Alfonso Cano, o chefe máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), pediu a Santos dar início a negociações de paz.

"Mas, enquanto não libertarem os sequestrados, enquanto continuarem cometendo atos terroristas, enquanto não devolverem as crianças recrutadas à força, enquanto continuarem minando e contaminando os campos colombianos, vamos prosseguir enfrentando todos os criminosos, sem exceção, com tudo o que estiver em nosso alcance", declarou.

Ele advertiu que o eventual diálogo não pode gerar "falsas esperanças" e muito menos "mais enganos" ou conduzir o país a "novas frustrações".

Apesar de Santos ter afirmado que em seu governo "a porta do diálogo não ficará fechada a chave", ordenou às Forças Armadas que "continuem transmitindo resultados" na luta contra os grupos armados ilegais.

"Não descansaremos até que impere plenamente o Estado de Direito em todos os lugares de nossa pátria", prometeu, depois de advertir os guerrilheiros: "vocês sabem que somos eficazes".

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