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12/08/2010 - 18h31

Carro-bomba explode em Bogotá, a menos de uma semana da posse de Santos

BOGOTÁ, 12 Ago 2010 (AFP) -Um carro-bomba explodiu na madrugada desta quinta-feira em Bogotá, deixando sete pessoas feridas e causando danos em 1.160 prédios - um atentado registrado a menos de uma semana da posse do presidente Juan Manuel Santos, que o qualificou de ato "terrorista".

Logo depois, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou o atentado contra o edifício que abriga as sedes das rádios Caracol e La W, e da agência espanhola de notícias EFE, qualificando-o como "uma grave intimidação à liberdade de imprensa".

Segundo informações prelimares, o atentado com explosivos poderia ter sido dirigido contra o diretor-geral da Rádio Caracol e do programa "6 am Hoy x Hoy", Darío Arizmendi, que recentemente foi alvo de ameaças, informou a SIP, entidade com sede em Miami.

"Vamos continuar combatendo o terrorismo com tudo o que estiver a nosso alcance", disse Santos ao visitar o norte de Bogotá, local da explosão.

"Como todo o ato terrorista o que querem é perturbar, meter medo na população, gerar ceticismo", disse. "Minha mensagem à população é: fiquem tranquilos, estamos aqui, continuemos com nossa vida normal, porque eles querem nos amedrontar", afirmou o presidente.

Para o atentado foi usado um carro carregado com 50 quilos de nitrato de amônio e uma pipeta de gás propano, informou o prefeito da cidade, Samuel Moreno.

O presidente Santos, que visitou a sede da emissora e conversou com alguns vizinhos, explicou que não foram registrados "danos estruturais" nos edifícios próximos.

O prefeito precisou que os "sete feridos estão passando bem".

Segundo ele, a maioria dos 1.160 prédios afetados teve vidraças estilhaçadas.

"No momento estava tomando banho; de repente senti um forte tremor e ouvi a explosão, pensei que o teto ia cair em cima e deixei correndo o banheiro", contou à AFP um dos moradores do edifício de 27 andares que fica em frente à emissora.

Nos escritórios da rádio Caracol, grande parte do teto veio abaixo e o edifício sofreu muitas avarias, pelo que precisou ser evacuado.

O comandante da polícia de Bogotá, general César Pinzón, assinalou que estão sendo investigados a origem e os autores desse ato.

Cinco pessoas que haviam sido detidas com 200 quilos de explosivos no começo de agosto e deixadas em liberdade por um juiz, foram recapturadas nesta quinta-feira, informou a promotoria.

Vários governos da região condenaram o atentado, entre eles o da Venezuela, país que retomou os laços diplomáticos com Bogotá na terça-feira passada, depois de um confronto com o governo do ex-presidente Alvaro Uribe.

"O povo e o governo venezuelano repudiam da maneira mais enérgica este ato terrorista dirigido contra o povo irmão da Colômbia e contra seu fervoroso desejo de viver em paz", assinala uma nota da chancelaria.

O último grande atentado na Colômbia foi registrado em 24 de março de 2010, em Buenaventura, principal porto sobre o Pacífico, e deixou nove mortos. O então presidente, Alvaro Uribe, atribuiu a ação à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Uma semana antes da posse de Santos, as Farc ofereceram ao novo presidente um diálogo de paz, num vídeo encaminhado por seu chefe máximo, Alfonso Cano.

Santos havia respondido que seu governo não fechará a porta a conversações com a guerrilha, mas que estas devem acontecer "com base em premissas inalteráveis, como a renúncia às armas, ao sequestro, à extorsão, ao narcotráfico e à intimidação".

Além da Venezuela, Estados Unidos, Unasul e várias chancelarias latino-americanas condenaram o ato.

Na Colômbia operam as guerrilhas das Farc, com 8.000 combatentes, e o Exército da Libertação Nacional (ELN), com 2.500 homens.

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