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12/08/2010 - 15h18

Iraniana foi torturada para confessar assassinato, diz advogado

LONDRES, 12 Ago 2010 (AFP) -Um dos advogados da iraniana condenada à morte por apedrejamento na República Islâmica denunciou a um jornal britânico que ela foi submetida à tortura para confessar à emissora estatal envolvimento no assassinato do marido.

O advogado de Sakineh Mohammadi-Ashtiani afirmou ao The Guardian nesta quinta-feira que sua cliente, uma mulher de 43 anos mãe de duas crianças, foi forçada a dar a entrevista, gravada na prisão de Tabriz, onde ela está detida há quatro anos.

"Ela foi fortemente espancada e torturada até aceitar aparecer em frente às câmeras", disse o advogado Houtan Kian ao site do jornal.

O advogado disse temer que as autoridades iranianas agissem rapidamente para lançar a sentença de morte, que foi alterada para enforcamento depois da repercussão internacional do caso no mês passado.

O jornal não deu detalhes sobre onde o advogado concedeu a entrevista.

Outro advogado da mulher, Mohammad Mostafaie, saiu do Irã neste mês e está na Noruega depois que oficiais iranianos emitiram ordem de prisão contra ele e sua esposa.

A sentença contra a iraniana era, inicialmente, por "ter mantido um relacionamento ilícito fora do casamento", o que gerou críticas por parte de diversos países.

Mas, numa entrevista transmitida pela televisão estatal do Irã, ela afirma que o homem com o qual teria um caso ofereceu-se para matar seu marido e ela o teria deixado cometer o crime.

Em uma outra entrevista dada ao The Guardian na semana passada, por meio de um intermediário, ela afirmou ter sido absolvida da acusação de homicídio, no entanto, "o homem que realmente matou meu marido foi identificado e preso, mas não foi sentenciado à morte."

A entrevista da mulher, cujo rosto estava coberto pelo véu muçulmano, foi levada ao ar na noite de quarta-feira, durante uma transmissão política que condenava a "propaganda" do caso feita no Ocidente, que seria parte das pressões contra Teerã por seu programa nuclear.

O chefe de Justiça da província do Azerbaijão iraniano, onde o suposto assassinado ocorreu em 2006, disse à TV que Sakineh Mohammadi-Ashtiani teria injetado uma substância que deixou seu marido inconsciente antes de ele ser morto eletrocutado.

Os oficiais iranianos disseram que a sentença de morte foi decidida pelo crime de assassinato, apesar de as informações iniciais terem dado conta de que ela tinha sido condenada por "um relacionamento ilícito fora do casamento".

A sentença por apedrejamento foi temporariamente suspensa pelo chefe da Justiça iraniana, Sadeq Larijani.

O ministro de relações exteriores britânico disse ter ficado "consternado" com a confissão transmitida pela TV e "profundamente preocupado com a denúncia do advogado de que a confissão foi resultado de tortura".

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores britânico acrescentou: "nós pedimos às autoridades iranianas que façam uma completa revisão do caso e cumpram com suas obrigações em relação aos direitos humanos."

Nesta quinta-feira, a Anistia Internacional criticou tanto a emissora como as autoridades iranianas.

"'Confissões' televisionadas têm sido frequentemente usadas pelas autoridades para incriminar indivíduos sob custódia. Muitos retiraram posteriormente essas 'confissões', dizendo terem sido coagidos a fazê-las", disse a entidade em comunicado.

De acordo com o embaixador do Irã em Brasília, Mohsen Shaterzadeh, citado pela Agência Brasil, a iraniana continuará presa no Irã, descartando seu eventual asilo em território brasileiro.

"Não recebemos de forma oficial nenhum pedido ou oferta para que essa senhora seja enviada ao Brasil", afirmou o embaixador.

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