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17/08/2010 - 14h34

França: ex-juíza anticorrupção Eva Joly pronta para a corrida presidencial

PARIS, França, 17 Ago 2010 (AFP) -A eurodeputada e ex-juíza Eva Joly, que nos anos 1990 encarnou a imagem da Justiça confrontada ao poder, aparece - com seu discurso "ético" e sua trajetória atípica - como a provável candidata dos ecologistas às presidenciais francesas de 2012.

"Sim, as eleições presidenciais me interessam", respondeu a famosa ex-juíza anticorrupção e parlamentar europeia desde o ano passado, ao ser interrogada pelo jornal Sud-ouest.

"Eleições deste tipo (...) exigem um compromisso completo. Eu me comprometerei se me sentir apoiada pela totalidade do movimento", disse Joly, nascida há 66 anos na Noruega.

A ex-juíza de instrução ficou conhecida nos anos 1990 por representar uma justiça que enfrentava o mundo dos negócios e do poder na França. Depois, em 2009, com vistas às eleições europeias, optou por ser candidata do partido do líder ecologista Daniel Cohn-Bendit.

Este verão, a ex-juíza de instrução aproveitou a atenção midiática gerada pela sucessão de escândalos que afetou o governo para - com seu sotaque norueguês - deixar clara sua posição.

Denunciando os "escândalos do Estado", Joly foi a primeira a reivindicar a renúncia do ministro do Trabalho, Eric Woerth, após revelar-se um possível conflito de interesses e suspeitas de financiamento ilegal do partido político majoritário, a UMP.

Segundo ela, em "uma democracia normal", o ministro, ligado ao presidente francês Nicolas Sarkozy, deveria ter renunciado.

Após o arrocho da política de segurança do governo francês, em julho, a ex-juíza acusou Sarkozy de praticar "uma ética da provocação" e "um racismo de Estado", acrescentando que estava procurando "bodes expiratórios".

Estas posições silenciaram algumas críticas feitas no interior de seu partido, como a de ter um ego desmedido ou de não se ajustar ao perfil clássico de uma militante ecologista.

De fato, Gro Eva Farseth - nascida em um bairro operário de Oslo em 1943 - nunca seguiu o caminho tradicional das elites francesas.

Ela chegou a Paris em 1964, aos 21 anos, como babá de uma família burguesa, e ficou no país após se apaixonar por um dos filhos da casa. Do casamento com Pierre Joly - cujo sobrenome ela carrega -, em 1966, nasceram dois filhos.

Após trabalhar como secretária e depois como consultora jurídica de um hospital psiquiátrico, Joly passou no concurso para juíza aos 38 anos, dando início a uma carreira que a levaria a ter contato com vários escândalos políticos-financeiros de maior repercussão na época.

Ela se tornaria conhecida, sobretudo, pela investigação do escândalo de corrupção da companhia petrolífera Elf, um caso pelo qual foi condenado em primeira instância e depois absolvido o ex-ministro socialista Roland Dumas.

Em 2002, Joly voltou à Noruega para assessorar o governo em sua luta contra a corrupção internacional e os paraísos fiscais.

"Sempre tive medo do momento em que a realidade aponta o seu lugar: você é a boa, é a esposa, é mãe, é uma secretária, é uma juíza - mas dócil, por favor -, tem idade para se aposentar. Não, sempre resisti a esta ordem", escreveu há três anos em seu livro, intitulado "La force qui nous manque", publicado em 2007.

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