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17/08/2010 - 14h28

Morre o ex-presidente italiano Francesco Cossiga

ROMA, 17 Ago 2010 (AFP) -O ex-presidente da República italiana Francesco Cossiga morreu nesta terça-feira, aos 82 anos, no hospital Gemelli de Roma, onde havia sido internado na semana passada com problemas cardíacos e respiratórios.

O hospital havia anunciado nas segunda-feira que divulgaria boletins apenas de dois em dois dias, e não mais diariamente, indicando que o estado de saúde de Cossiga melhorava de maneira progressiva.

Mas na noite de segunda para terça-feira, seu estado se deteriorou bruscamente e ele morreu por volta das 11h00 GMT (08h00 de Brasília), vítima de uma parada cardíaca, segundo a agência Ansa.

Francesco Cossiga deixou várias cartas endereçadas aos principais dirigentes do país, ao chefe de Estado, Giorgio Napolitano, aos presidentes do Senado, Renato Schifani, e da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, e ao chefe do Governo, Silvio Berlusconi, indica a Ansa, que não divulgou o conteúdo das mensagens.

Seu enterro será realizado na Sardenha apenas para alguns amigos e parentes, já que Francesco Cossiga recusava de antemão funerais de Estado.

Chefe do Governo por um breve período em 1979, ele foi eleito presidente da República em 1985, para um mandato de sete anos. Depois de cinco anos nesse posto, denunciou as falcatruas, criticando o sistema partidário e defendendo um regime presidencial e reformas institucionais.

Ele renunciou em abril de 1992, três meses antes do final de seu mandato, para dar lugar a "um presidente forte". Mais tarde, tornou-se senador vitalício, como todos os ex-presidentes italianos.

Francesco Cossiga renunciou ao cargo de ministro do Interior em meio à comoção causada no dia seguinte à morte do líder da Democracia Cristã, Aldo Moro, assassinado pelas Brigadas Vermelhas em 9 de maio de 1978. Sua gestão deste caso foi muito criticada.

A opinião pública estava convencida de que ele conhecia a maior parte dos segredos e dos documentos confidenciais dos "anos de chumbo" do terrorismo na Itália.

Após o anúncio da morte de Francesco Cossiga, o papa Bento XVI, "profundamente entristecido, recolheu-se para orações", segundo a Rádio do Vaticano.

O presidente Napolitano lembrou que havia conhecido Francesco Cossiga em 1958, lamentando a morte de "um protagonista combativo dos períodos mais intensos e dramáticos da história do país".

"Choro por um amigo muito querido, caloroso e generoso. Sentirei falta da sua amizade, da sua inteligência, da sua ironia e do seu apoio", reagiu o chefe do Governo, Silvio Berlusconi.

Seu antecessor, Romano Prodi, considerou Francesco Cossiga um dirigente político que sempre teve "um grande respeito pelas instituições".

"Uma personalidade extraordinária, além de um expoente de nossa história se foi", comentou Pier Luigi Bersani, líder do Partido Democrata (PD, principal partido de oposição).

"Saudamos com amizade Francesco Cossiga, primeiro presidente da República a ter recebido em sua função institucional uma delegação da Arcigay", declarou a Associação de defesa dos direitos dos homossexuais.

O partido Liga do Norte saudou "um homem político que atravessou diversas fases da vida do país sem nunca renunciar as suas próprias convicções".

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