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18/08/2010 - 13h48

Governo afegão segue exemplo iraquiano e cria milícias locais

CABUL, 18 Ago 2010 (AFP) -O governo afegão anunciou nesta quarta-feira a criação de milícias locais encarregadas de defender os moradores contra os talibãs - uma iniciativa próxima a dos grupos contra a Al-Qaeda utilizados com sucesso no Iraque pelo exército americano para reprimir a insurreição.

"Trata-se de uma força policial local. Eles garantirão a segurança das casas, dos hospitais, das escolas e das estradas", declarou o vice-ministro do Interior, Mohammad Munir Mangal, durante uma coletiva de imprensa. "Trabalhamos juntos" com as forças internacionais para finalizar o projeto, precisou.

Este programa, apoiado pelo exército americano, já está funcionando nas províncias de Wardak (centro) e Oruzgan, bastiões da insurreição conduzida pelos talibãs. "O projeto será estendido ao resto do país rapidamente", principalmente no sul, no sudoeste e no leste do país, onde se encontram os feudos rebeldes mais resistentes, prometeu o vice-ministro.

Mangal evocou uma força de 10 mil homens, sem precisar se esta vai aumentar no futuro. Um número modesto em comparação ao tamanho do exército (134 mil homens atualmente) e da polícia (100 mil homens), que já encontram dificuldade em manter a ordem no país sem as forças internacionais.

Essas novas forças dependerão do Ministério do Interior e receberão o equivalente a 60% do salário dos policiais, que ganham, no mínimo, cerca de 200 dólares.

Eles serão formados durante três semanas por oficiais da polícia e equipados com armas, a menos "que eles tragam as próprias", segundo Mangal.

O comandante das forças americanas e internacionais, o general David Petraeus, e o presidente afegão Hamid Karzai entraram em acordo no início de julho sobre a criação desta "força de policiamento local".

Os Estados Unidos procuram, de fato, desde 2009, promover a criação dessas milícias na esperança de favorecer uma rebelião tribal em grande escala contra os insurgentes.

Mas o presidente Karzai considerou, na época, que se tratava de "má ideia" que iria "arruinar o país ainda mais".

Inúmeros observadores destacaram que seria melhor reforçar a polícia, considerada ineficaz e muito corrupta, e o exército, ao invés de cometer o mesmo erro do governo pró-soviético, no fim dos anos 1980.

Para apoiar as forças de segurança frágeis, o governo criou, na época, milícias tribais que acabaram se voltando contra ele, abrindo caminho para uma feroz guerra civil.

Hoje, o governo tem o cuidado ao dizer "força de policiamento" sob o comando do Ministério do Interior, e não "milícias tribais".

O general Ben Hodges, responsável pelas operações das forças armadas americanas no sul do Afeganistão, informou no início de junho à AFP que as forças especiais americanas já ajudavam a população afegã a organizar sua própria proteção contra os talibãs, especialmente no instável distrito de Arghandab, na província de Kandahar (sul), feudo dos talibãs.

A estratégia lembra outra iniciativa do exército americano, inclusive promovida pelo próprio general Petraeus, no Iraque, em setembro de 2006, com a criação das milícias Sahwas ("Renascimento" em árabe) compostas por ex-insurgentes sunitas reconvertidos na luta contra a Al-Qaeda.

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