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18/08/2010 - 15h54

ONU considera estudar correntes atmosféricas

GENEBRA, 18 Ago 2010 (AFP) -Os especialistas do clima devem se dedicar o mais rápido possível a estudar as mudanças constatadas nas correntes atmosféricas ligadas às grandes inundações no Paquistão e à onda de calor sem precedentes na Rússia, considerou nesta quarta-feira um especialista climático da ONU e a OMM.

O verão foi particularmente conturbado com as chuvas de monção excepcionais que atingem o Paquistão há várias semanas, com uma onda de calor que provocou gigantescos incêndios florestais na Rússia, além de deslizamentos de terra causados pelas chuvas torrenciais na China e da divisão de um gigantesco Iceberg na Groenlêndia.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, esses eventos são excepcionais mesmo para as condições climáticas extremas de algumas regiões.

Trata-se "de uma sequência sem precedentes de eventos" que "supera em intensidade, duração e extensão geográfica todos os eventos históricos anteriores".

"Isso coloca uma questão urgente para a ciência do clima: saber se a frequência e a duração dos episódios de 'bloqueio' estão evoluindo", explica a OMM em um comunicado.

Consultado pela AFP, o diretor do Programa de Pesquisas sobre o Clima, patrocinado pela OMM e pela Unesco, Ghassem Asrar explica que os acontecimentos dramáticos no Paquistão e na Rússia têm como origem um fenômeno de bloqueio das correntes atmosféricas.

Esses bloqueios, que podem provocar uma intensificação da umidade (com chuvas) ou do calor, e parece que estão ficando cada vez mais frequentes e longos.

Segundo Asrar, pesquisadores europeus haviam previsto um fenômeno de bloqueio algumas semanas antes de sua ocorrência. Eles "haviam indicado claramente esta informação e a acompanharam", acrescentou, dizendo-se "certo de que os dois eventos, no Paquistão e na Rússia, (estavam) ligados".

Os movimentos de bloqueio devem ser muito estudados, da mesma forma que os fenômenos El Niño e La Niña no Oceano Pacífico, insistiu.

As respostas para esses fenômenos são tão importantes que eles têm um "impacto na vida (das pessoas) e nas propriedades, como mostram os exemplos do Paquistão e da China", disse Asrar.

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