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19/08/2010 - 09h04

Avião com 60 ciganos expulsos da França parte para Bucareste

LYON, 19 Ago 2010 (AFP) -Sessenta ciganos, os primeiros a serem expulsos da França em aplicação das medidas de segurança reforçadas decididas pelo presidente Nicolas Sarkozy, decolararam de Lyon (centro-leste) rumo a Bucarest nesta quinta-feira.

O grupo de ciganos chegou sob escolta policial ao aeroporto a bordo de dois ônibus e depois pegaram um voo regular da companhia romena Blue Air.

Segundo o ministério romeno do Interior, um total de 93 ciganos serão repatriados para a Romênia nesta quinta-feira, na primeira operação desse tipo desde o endurecimento da política francesa em relação a esta minoria.

A França prevê a repatriação, antes do fim do mês, de 700 ciganos em situação irregular para Romênia e Bulgária no âmbito do plano de retorno voluntário a seus países de origem, uma decisão que acentua a polêmica pela política de segurança do governo.

Em 2009, 44 voos deste tipo foram organizados e 10.000 romenos e búlgaros foram levados para seus países, segundo as autoridades francesas que reconhecem, no entanto, que as pessoas expulsas, membros da União Europeia (UE), poderiam voltar à França sem visto e permanecer três meses sem justificação.

Quatrocentas mil pessoas, 95% delas francesas, fazem parte da comunidade cigana na França. O restante é formado por ciganos de origem búlgara, romena e de outros países dos Bálcãs, cujo número aumenta constantemente, segundo o governo.

Calcula-se que haja 15 mil ciganos em situção irregular na França.

A ONU criticou severamente a França por estabelecer uma relação entre imigração e insegurança. Na França, o governo de direita foi acusado pela esquerda de promover um "racismo de Estado".

A Comissão Europeia afirmou nesta quarta-feira que está acompanhando atentamente a polêmica repatriação de ciganos romenos e búlgaros que a França prepara para os próximos dias, aconselhando o governo francês a respeitar as regras sobre a proteção dos cidadãos europeus.

Romênia e Bulgária, de onde são oriundos os 700 ciganos passíveis de repatriação, tornaram-se membros da União Europeia em 1º de janeiro de 2007.

Apesar de posições contraditórias, o governo está convencido de que todo este tema fortalece Sarkozy frente às eleições presidenciais de 2012, após o escândalo político-financeiro dos últimos meses, protagonizado pelo ministro do Trabalho, Eric Woerth, e a mulher mais rica da França, Liliane Bettencourt, que respinga no próprio presidente.

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