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19/08/2010 - 14h50

Ingleses terão lições de boas maneiras com vistas a Londres-2012

LONDRES, 19 Ago 2010 (AFP) -Mal-educados, os ingleses? Pode soar estranho, mas alguns britânicos, convencidos disto, estão decididos a ensinar boas maneiras aos seus compatriotas para receber com sorrisos e cordialidade os estrangeiros que chegarão para os Jogos Olímpicos de Londres-2012.

Antes das Olimpíadas de Pequim, há dois anos, as autoridades chinensas lançaram uma campanha nacional para ensinar seus cidadãos a "se comportarem corretamente". Não cuspir em público, não abrir caminho a cotoveladas ao embarcar em ônibus eram algumas das recomendações.

Una campanha do tipo não deveria ser necessária no Reino Unido, considerado com frequência o país do civismo e inventor do 'fair-play'.

Para Peter G. Foot, não exatamente, segundo o septuagenário com modos de lorde, presidente da organização "National Campaign for Courtesy" (Campanha Nacional pela Cortesia).

"Temos que melhorar nossos modos se quisermos que os visitantes levem uma boa impressão deste país", explicou à AFP.

"Nossa conduta é pior do que era antes", acrescentou, com seu forte sotaque britânico.

"Antes costumávamos fazer fila no ponto de ônibus e agora é uma luta. Jogamos lixo no chão. Entramos em lojas onde somos ignorados, enquanto as vendedoras continuam conversando sobre os rapazes com que saíram na noite anterior", desabafou.

Em março passado, Londres foi declarada a "cidade menos gentil do Reino Unido" em um estudo feito pelo grupo hoteleiro Jurys Inn. Com a previsão de chegada de um milhão de pessoas para os Jogos, Foot não quer que seu país seja crucificado pelos "bad manners" (maus modos).

"Começamos nossa campanha agora para nos assegurarmos de que todos os visitantes estrangeiros achem que são tratados com respeito", disse.

Com recursos escassos - a associação tem apenas 900 membros -, Foot tenta "difundir a mensagem em rádios e televisões" e entrega regularmente "certificados de bom comportamento" a pessoas exemplares.

O motorista de ônibus que "canta e distribui balas aos passageiros", o funcionário dos correios "tão solícito", as recepcionistas que "oferecem chá" às pessoas que aguardam no balcão... Todos eles tiveram um dia a supresa de ver Foot chegar com seu certificado debaixo do braço.

A mensagem é simples: "sorria, diga obrigado e por favor", resume Foot.

"Gostaria que os visitantes que desembarcarem do avião recebam calorosas boas-vindas. Igualmente nos táxis, nas lojas, nos restaurantes, pubs", etc..

Este também é o objetivo fixado pela VisitBritain, agência britânica de turismo, que acaba de lançar um guia para evitar mancadas com estrangeiros.

Entre alguns dos conselhos, estão: "nunca chame um americano de canadense"; "Não faça perguntas pessoais a um brasileiro"; "Não se ofenda com o humor argentino, que pode mencionar sua roupa ou seu peso"; "Não pisque o olho para alguém de Hong Kong"; "Ao conhecer um mexicano, é melhor não falar de pobreza, de imigrantes ilegais, terremotos ou da guerra de 1845/46 com os Estados Unidos".

Sandie Dawe, diretora-geral da agência, lembra que os "visitantes estrangeiros gastam mais de 16 bilhões de libras (25 bilhões de dólares) anuais no Reino Unido. Dar a eles uma boa acolhida é absolutamente vital para a nossa economia".

Consciente, também, dos benefícios financeiros potenciais, o prefeito de Londres, Boris Johnson, pretende recrutar 8.000 voluntários para receber os visitantes em aeroportos, estações e locais de interesse turístico da capital.

Qual será a característica principal destes "embaixadores"?. "Ser a face sorridente, feliz e orgulhosa de Londres", disse Johnson, ao lançar o programa, no fim de julho.

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