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22/08/2010 - 17h08

Paquistão procede a novas evacuações por risco de inundações

ISLAMABAD, Paquistão, 22 Ago 2010 (AFP) -Os habitantes da cidade paquistanesa de Shahdadkot, na província de Sind (sul), foram evacuados preventivamente na noite de sábado devido à cheia dos afluentes do rio Indus, informaram as autoridades do Paquistão, país afetado por inundações que deixaram até o momento 1.500 mortos e oito milhões de pessoas desabrigadas.

"Tentamos proteger a cidade de Shahdadkot (100.000 habitantes) ameaçada pela alta das águas", declarou Jam Saifullah Dharejo, ministro provincial de Irrigação em Karachi, capital de Sind.

"A maioria dos moradores da cidade e seus subúrbios está em áreas seguras", disse o funcionário, acrescentando que várias aldeias vizinhas estão inundadas. Até o momento, não foram registradas mortes, acrescentou.

Na maior parte das regiões afetadas, as águas se retiram progressivamente à medida que as chuvas diminuem, mas as consequências sociais e políticas do desastre pesarão sobre a estabilidade deste país de 167 milhões de habitantes, que já está em guerra contra o islamismo radical.

O impacto social das inundações se anuncia devastador para uma nação que já atravessava graves dificuldades financeiras. Um quarto da população paquistanesa vive abaixo do limite da pobreza.

As violentas enxurradas de lama que arrasaram boa parte do país desde o fim de julho mataram 1.500 pessoas e deixaram cerca de 20 milhões de afetados. Milhões de pessoas desabrigadas perambulam pelas estradas do país.

O país enfrenta agora perdas econômicas de 43 bilhões de dólares que levaram o Fundo Monetário Internacional (FMI) a anunciar uma reunião em Washington, na próxima semana, para estudar o modo de acudir em ajuda de Islamabad.

A cólera contra o governo do presidente Asif Ali Zardari, que é considerado corrupto e incompetente, aumenta nos acampamentos de desabrigados.

As pessoas afetadas esperam ainda por comida e medicamentos, e os seis milhões de sem teto reclamam moradia.

Do noroeste de Sind (sul), passando por Pendjab (centro), as vítimas bloquearam várias vezes as estradas e confrontaram a polícia.

"Em Muzaffargarh, um dos distritos mais afetados do sul de Penbjab, as pessoas bloqueiam as estradas, roubam os caminhões de ajuda alimentar e denunciam a ausência de ajuda", explicou Jamshaid Dasti, responsável local do Partido do Povo do Paquistão (PPP), o movimento de Zardari, advertindo que "a situação poderá tornar-se incontrolável".

"O governo é tão frágil que pode se ver ameaçado pelo menor movimento social", avaliou Qaiser Bengali, conselheiro do governo provincial de Sind. "Se não prestarmos atenção, haverá grandes manifestações", afirmou.

"A desconfiança com o governo cresce há anos. A oposição poderá aproveitar-se incentivando os protestos. E ninguém sabe o que poderá acontecer", acrescentou o analista Hassan Askari.

Outro temor é que os islamitas radicais se aproveitem desta situação para ganhar terreno, como aconteceu com o Hezbollah no Líbano ou o Hamas em Gaza.

"Com o tempo, isso pode levar as pessoas a pensar que os grupos religiosos são mais eficientes que o Estado", e reforçar assim o poder das mesquitas e madrassas (escolas corânicas)", explica Qaiser Bengali.

Os talibãs, aliados da Al-Qaeda, poderão se aproveitar da miséria das pessoas para recrutá-las. "Mas não representam uma ameaça imediata, já que foram deslocados pelas ofensivas do exército desde o ano passado", acrescentou o analista Askari.

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