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23/08/2010 - 14h52

Depois do milagre, começa longo resgate de mineiros chilenos

COPIAPO, Chile, 23 Ago 2010 (AFP) -As equipes de resgate começarão nesta segunda-feira a alimentar os 33 mineiros presos desde 5 de agosto em uma jazida no norte do Chile, depois de terem sido localizados a 700 metros de profundidade no domingo, iniciando uma nova fase de um resgate que poderá durar até o Natal.

Para poder alimentar os mineiros, esperava-se a conclusão, ainda nesta segunda-feira, da fortificação do duto de em torno de 8 cm de diâmetro por onde, no domingo, foi feita a comunicação com os mineiros, que enviaram um comovente bilhete à superfície: "estamos bem, no refúgio, os 33".

"Vamos retomar o contato com eles, e iniciaremos o envio de tubos de plástico que enviarão, primeiramente, água com glicose e uma série de outros elementos que vão permitir mantê-los vivos", explicou nesta segunda-feira o ministro da Mineração, Laurence Golborne, que estava menos tenso, após as grandes emoções de domingo.

Por meio dos tubos de plástico azuis será enviado o necessário aos mineiros que permanecem na parte mais profunda da jazida.

Em uma primeira etapa, serão enviadas pequenas doses de água junto a um medicamento para revestir o estômago e um manual de instruções para sua ingestão. Posteriormente, serão enviados alimentos proteicos em forma de gel, junto a outros utensílios importantes, como lanternas e um pequeno equipamento de comunicação.

"O processo de alimentação deve ser muito cuidadoso; os elementos deverão ser enviados pouco a pouco", explicou o ministro da Saúde, Jaime Moñalich.

Depois da euforia do domingo, quando foram recebidas provas de sobrevivência dos 33 mineiros, o ambiente desta segunda-feira era mais tranquilo, com as famílias acostumando-se com a ideia de que terão de ser mais pacientes: retirar os mineiros levará meses, adverteram os especialistas.

De fato, se os prazos dados no domingo pelo coordenador das equipes de resgate, André Sougarret, forem cumpridos, os mineiros poderão sair perto do Natal.

"O cordão umbilical já foi feito", disse Sougarret nesta segunda-feira, para ilustrar que a primeira parte da operação está pronta.

"Agora vem o desenho de engenharia, a topografia, e depois começa o trabalho de perfuração", completou.

Foi o mesmo Sougarret que estimou no domingo que essa perfuração "não vai durar menos de 120 dias", apesar de ter completado que os trabalhos durarão "entre três e quatro meses".

Sougarret explicou que será utilizada uma máquina de perfuração vertical de origem sul-africana, similar à que foi utilizada para fazer o pequeno duto de comunicação, mas com diâmetro maior.

"Vamos fazer uma escavação vertical. A máquina faz uma perfuração da ordem de 13 polegadas (em torno de 33 centímetros) e posteriormente colocamos um prato que vai ampliando para 66 centímetros", explicou.

A máquina, um modelo Strata 950, foi utilizada pela exploradora de cobre estatal Codelco para fazer dutos de ventilação. Ainda não se sabe o local da nova perfuração.

O ministro da Mineração, por sua vez, confirmou que em paralelo continuarão as perfurações (com sondas semelhantes àquela que localizou os mineiros no domingo) em outros locais da jazida "para poder ter outras vias de comunicação".

A incrível história dos mineiros gerou uma euforia inédita no Chile, país que se uniu em uma gigantesca cadeia de solidariedade.

Desde que o presidente Sebastián Piñera mostrou o bilhete com letras vermelhas e as palavras "estamos bem, no refúgio, os 33", a comemoração não parou.

"Isso saiu das entranhas da terra", disse o presidente, visivelmente emocionado, no domingo, enquanto mostrava o papel. "É a mensagem de nossos mineiros que nos dizem que estão vivos."

"Nunca tão poucas palavras provocaram tanta alegria em um país inteiro", disse o presidente.

Uma câmara levada por sonda poucas horas depois mostrou alguns dos homens com as luzes de seus capacetes acesas e o rosto de um deles em primeiro plano, imagem que nesta segunda-feira foi reproduzida em todos os jornais e na televisão.

"Eu pude vê-los com meus próprios olhos através das câmeras de vídeo. Vi oito ou nove deles que agitavam seus braços, que ainda estavam com as lâmpadas acesas e aparentemente em bom estado físico", descreveu o presidente.

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