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24/08/2010 - 16h25

Jardim de um milhão de hectares espera ser salvo da depredação

YASUNI, Equador, 24 Ago 2010 (AFP) -Milhares de espécies fazem de Yasuní, na Amazonia equatoriana, o local de maior biodiversidade do planeta, mas sua sustentabilidade depende de um plano que visa a manter inexplorados milhões de barris de petróleo neste gigantesco jardim.

Como um tapete verde, o parque Yasuní se estende pela margem leste da selva amazônica, entre as províncias de Orellana e Pastaza, e é o lar de 150 espécies de anfíbios, 121 de répteis, 596 de aves, 200 de mamíferos, 500 de peixes e 4.000 de plantas, muitas endêmicas.

Com elas convivem os Tagaeri e Taromenane, dois últimos povos indígenas em isolamento voluntário no Equador, um dos 12 países com maior biodiversidade do mundo, que propõe manter 20% de suas reservas petroleiras debaixo da terra como uma contribuição contra o aquecimento global.

"A evidência científica nos diz que nesta região (de 982.000 hectares) se concentra a maior biodiversidade do planeta", disse o biólogo equatoriano Pablo Jarrín, diretor de uma estação científica da Universidade Católica de Quito, que monitora a reserva desde 1995.

"É o que nos resta do jardim original", acrescentou o cientista durante uma visita a este paraíso de sons mágicos, que ele descreveu como uma "bolha de bosque quase intacto" apesar de ter sido "afetada relativamente" pela exploração de petróleo.

"Conforme evolui, a vida tende a se diversificar e nesta área chegou a um ponto muito alto de diversificação", explicou Jarrín.

Chega-se a Yasuní após 40 minutos de voo de Quito até a cidade de El Coca e duas horas de lancha pelo rio Napo, até a cidade de Pompeya, entrada este local onde a natureza se mostra com todo o esplendor.

O acesso é restrito e até mesmo os convidados especiais do governo devem se submeter a uma revista exaustiva, que inclui a detecção de objetos estranhos à zona pelos guardas privados da petroleira hispano-argentina Repsol-YPF, que opera um bloco a 70 km da estação.

Neste centro, cientistas estudam milhares espécies em uma parcela de 50 hectares. Alguns monitoram mudanças no bosque com um "nível de detalhe único" na região, segundo Renato Valencia, decano de biologia da Universidade Católica.

Um único hectare abriga 655 espécies vegetais, mais que o total de árvores nativas de Estados Unidos e Canadá, ressaltou.

Desde 1995, a estação monitorou 304.000 caules e 1.200 espécies (com alturas de um centímetro a 40 metros), das quais 30% são "relativamente raras", e identificou 25 novas árvores e dois gêneros desconhecidos, destacou Valencia.

O biólogo disse que uma única árvore de 60 centímetros de diâmetro pode armazenar uma tonelada de carbono, o que equivale às emissões de 500 carros em um ano.

Outros números indicam que 35% dos medicamentos descobertos recentemente têm como origem a Amazônia.

Mas tudo isso, que fez com que Yasuní fosse declarada Reserva Mundial da Biosfera pela Unesco, em 1989, passaria a ser uma lembrança se a natureza perder a queda de braço contra a visão desenvolvimentista, advertiram os cientistas.

Para evitar que isto aconteça, o presidente socialista Rafael Correa propôs não explorar os 846 milhões de barris de petróleo nos campos de Ishpingo, Tambococha e Tiputini, no Yasuní, em troca de uma compensação internacional de 3,6 bilhões de dólares.

A quantia equivale a 50% do que receberia o sócio minoritário da Opep, caso o combustível fosse explorado, com o que se emitiriam 407 milhões de toneladas métricas de CO2, principal gás causador do efeito estufa.

A fim de cristalizar este desejo, o Equador e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) constituíram, em 3 de agosto, um dispositivo que captará os recursos, e a partir de setembro, o país iniciará uma ofensiva mundial em busca de apoio.

Se o Yasuní não for preservado, "perderíamos prosperidade e saúde a curto prazo, uma parte importante da nossa estabilidade ambiental, política e econômica e da nossa espiritualidade", afirmou Jarrín.

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