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25/08/2010 - 19h04

Filho de histórico líder cubano deixa Cuba rumo aos EUA

HAVANA, 25 Ago 2010 (AFP) -Juan Almeida García, filho de um dos líderes históricos da revolução cubana, viajou nesta quarta-feira aos Estados Unidos via México, depois de sete anos de protestos, disseram à AFP pessoas que o levaram ao aeroporto de Havana.

"Juan saiu em um voo da Mexicana (de Aviação) às 16h00 (locais, 17h00 de Brasília)", disse uma dissidente que pediu para não ser identificada. "Demos um abraço antes de ele ir", completou.

Sua saída do país, negada por sete anos, foi conseguida com a mediação do cardeal Jaime Ortega, após um inédito diálogo entre Igreja e governo, que permitiu também a libertação de 52 presos políticos e o fim da hostilização das "Damas de Branco", mulheres desses presos, em suas passeatas de rua.

"A Igreja interveio, a quem agradeço (...), tenho que agradecer muitas pessoas (...) incluindo o governo, que já mudou seu parecer e que entendeu que as coisas precisam ser mais fáceis", disse Almeida à AFP na saída de um escritório migratório em Havana, onde estamparam uma permissão de saída temporária em seu passaporte.

Filho do comandante Juan Almeida Bosque, morto em setembro de 2009, o advogado de 44 anos pretende viajar para ser tratado de uma doença e para visitar sua mulher, Consuelo Quesada, e sua filha, Indira, que residem em Miami (sul dos EUA) há um ano e meio.

Durante esse tempo, Almeida escreveu cartas, tentou sem sucesso sair ilegalmente do país, e protagonizou protestos públicos, o que lhe valeu diversas prisões, apesar de nunca ter sido processado pela Justiça.

Juan Almeida García, um dos sete filhos do Comandante Juan Almeida Bosque, a pessoa mais próxima de Fidel e Raul Castro, que morreu em setembro de 2009, aproximou-se da dissidência interna durante os protestos, apesar de assegurar não ser um "político".

Almeida García trabalhou vários anos em uma empresa cubana no México e desde seu retorno a Cuba em 2003, sob suspeitas de tráfico de pessoas, não teve autorização para viajar mais.

Sua família solicitou ao cardeal que intercedesse, e na segunda-feira o arcebispado de Havana comunicou a ele que o governo tinha autorizado sua saída, que fará via México no primeiro espaço disponível em um avião, segundo anunciou.

No ano passado, Almeida publicou na Espanha "Memórias de um guerrilheiro cubano desconhecido" - em cuja capa aparece uma criança com um fuzil, ao lado de Raul Castro e uma réplica do iate "Granma" - onde conta sua relação com altas figuras da revolução.

Blogs opositores e a Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (ilegal) denunciaram no último ano as frequentes prisões que sofria.

De estatura média, gordo, cabeça raspada, Almeida diz que apesar de sua distância ideológica do governo não renega o pai, que até sua morte foi a pessoa mais próxima a Fidel e Raul Castro, membro do Escritório Político do Partido Comunista.

"Disso sou orgulhoso, meu pai não é nem nunca será um peso para mim, nunca renunciaria a meu pai, absolutamente nunca", completa.

Questionado sobre uma possível rejeição na comunidade anticastrista de Miami, assegurou: "sou um cara plural, respeito todo tipo de critério, se há pessoas que podem incomodar-se com a minha presença, eu as aceito também".

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