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26/08/2010 - 16h35

Chile: apresentada primeira ação legal no caso dos 33 mineiros presos em jazida

copiapó, Chile, 26 Ago 2010 (AFP) -A família de um dos 33 mineiros presos em uma jazida do Chile apresentou uma ação legal contra os donos da mina e contra a entidade pública que fiscaliza a segurança, enquanto o governo se preocupa com o moral dos homens que passarão meses debaixo da terra antes de serem resgatados.

A ação judicial foi apresentada contra as autoridades do Serviço Nacional de Geologia e Minas (Sernageomin) e os donos da jazida, Marcelo Kemeny e Alejandro Bohn.

A demanda "é pelo delito de prevaricação, buscando sanção penal por ter obtido irregularmente a autorização para o exercício dos trabalhos e, assim, deixar presos os 33 mineiros", disse o advogado Valdés à AFP.

"Não estou pensando na recompensa monetária, estou nas pessoas responsáveis, não apenas os donos da mineradora, mas as pessoas que não fizeram seu trabalho" de fiscalizar, disse anteriormente Carolina Narváez, esposa do mineiro Raúl Bustos, sobre as motivações da ação.

Uma comissão do Congresso chileno investiga as responsabilizados no desmoronamento e, em concreto, nas condições de reabertura da mina em 2008, após seu fechamento um ano antes.

Após o acidente na mina, em 5 de agosto passado, o governo detectou uma série de irregularidades que permitiram sua reabertura, em 2008.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, anunciou na segunda-feira passada que será intensificada a segurança da atividade de mineração no Chile depois deste caso.

"Queremos que haja um antes e um depois na área de segurança mineira", disse Piñera, ao anunciar a criação de um grupo de trabalho, que analisará a legislação existente.

"Queremos tirar lições úteis e férteis do que poderia ter se tornado uma tragédia", acrescentou o presidente.

Enquanto isso, as autoridades sanitárias manifestaram preocupação com os efeitos psicológicos que os mineiros presos terão diante da perspectiva de que permanecerão quatro meses presos a 700 metros de profundidade.

As autoridades já comunicaram aos mineiros que seu resgate será longo e chegou-se a comentar com eles o dia de Natal.

"Pudemos dizer-lhes mais ou menos que não poderão ser resgatados antes das Festas Pátrias (pela indendência do Chile, no próximo 18 de setembro) e que esperamos estar com eles antes do Natal", disse à imprensa o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.

"Pudemos falar com eles com total sinceridade e eles aceitaram, estão tranquilos e esperam poder trabalhar conosco", acrescentou.

Inicialmente, as autoridades tinham, decidido não dizer aos mineiros presos que o resgate duraria quatro meses.

Mañalich disse, ainda, que "não pudemos perceber ainda uma mudança de ânimo (nos mineiros, mas) nós antecipamos que depois da euforia provocada pelo reencontro e o contato no dia de domingo, o mais provável é que enfrentemos um período de depressão, angústia e abatimento".

"Estamos preparando medicamentos para eles porque seria ingênuo pensar que eles serão capazes de manter este ânimo incomum que têm demonstrado durante tanto tempo", acrescentou o ministro.

O plano contempla estratégias para mantê-los ocupados e um programa de exercícios físicos que facilite a saída pelo duto de 66 centímetros de diâmetro que está sendo preparado para tirá-los, um a um, dos 700 metros de profundidade de onde se encontram.

Segundo o funcionário, o que se pretende é criar para eles rotinas de trabalho, descanso e sono, que os mantenha ativos e alertas durante o tempo em que continuarem presos.

A vantagem para os mineiros é que no interior da jazida eles têm um espaço de 1,5 km para se movimentar.

Os engenheiros preparam o terreno para começar a perfurar, este fim de semana, o buraco por onde os mineiros sairão.

Enquanto estes trabalhos continuam, o acampamento dos familiares estava desocupado esta quinta-feira, pois as famílias acataram a sugestão das autoridades para revezarem sua estadia e não ficar ali todo o tempo.

O drama dos mineiros tem gerado uma imensa simpatia no Chile desde o domingo passado, quando puderam ser contatados por uma sonda e fizeram chegar à superfície uma mensagem escrita com tinta vermelha, onde se lia, "Os 33 estamos bem no refúgio".

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