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27/08/2010 - 16h17

Carter e americano libertado pela Coreia do Norte chegam aos EUA

BOSTON, EUA, 27 Ago 2010 (AFP) -O ex-presidente americano Jimmy Carter e seu compatriota Aijalon Mahli Gomes, libertado pela Coreia do Norte, chegaram nesta sexta-feira a Boston (Massachusetts), constatou a AFP.

O avião chegou a Boston às 14h00 locais (15h00 de Brasília), onde os aguardavam 19 familiares de Gomes, libertado por motivos humanitários.

O Prêmio Nobel da Paz, de 86 anos, e o americano saíram do avião aplaudidos pelo grupo de pessoas que os esperavam no aeroporto internacional de Boston.

"A pedido do presidente Carter, e por motivos humanitários, Gomes recebeu o indulto do dirigente norte-coreano Kim Jong-Il", afirma um comunicado do Centro Carter.

Gomes, de 30 anos, ex-professor de inglês na Coreia do Sul, foi detido em janeiro e condenado em abril a oito anos de trabalhos forlados, assim como a uma multa de 600.000 dólares.

O Departamento de Estado saudou a libertação, mas deixou claro que o governo não teve nenhum papel oficial na missão de Carter.

"Apreciamos o esforço humanitário do ex-presidente Carter e saudamos a decisão da Coreia do Norte de conceder una anistia especial ao senhor Gomes e permitir seu retorno aos Estados Unidos", destacou o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, em um comunicado.

Além da missão humanitária, a agência oficial norte-coreana KCNA anunciou que Pyongyang transmitiu a Carter a vontade de retomar as conversações multilaterais sobre o fim de seu programa nuclear militar, bloqueadas desde abril de 2009.

O número dois do regime comunista, Kim Yong-Nam, expressou a Carter o desejo de um "reinício das negociações" entre as duas Coreias, Estados Unidos, Rússia, Japão e China, e do fim dos programas nucleares na península coreana, destacou a KCNA.

Pyongyang já divulgou declarações similares no passado, mas tentando impor condições que foram descartadas por Seul e Washington.

A oferta apresentada a Carter foi feita após uma visita do negociador nuclear chinês Wu Dawei a Pyongyang, e coincidindo com uma visita de Kim Jong-Il a China, principal aliado do regime.

A Coreia do Norte retirou-se das conversações multilaterais em abril de 2009 para protestar contra a condenação da ONU a um aparente teste de míssil, apresentado pelo regime de Pyongyang como um teste de foguete espacial.

Um mês depois, Pyongyang realizou o segundo teste nuclear da história do país, o que provocou mais sanções por parte da ONU.

Um dos principais obstáculos para a retomada das negociações é o afundamento em março de um navio sul-coreano, que provocou a morte de 46 marinheiros e que Washington e Seul atribuem a Pyongyang.

O enviado nuclear chinês visitava Seul nesta sexta-feira para tentar promover a retomada das negociações.

No entanto, a Coreia do Sul expressou reservas à proposta chinesa de organizar um encontro informal entre Pyongyang e Washington.

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