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31/08/2010 - 15h18

Espanha desarticula rede de prostituição masculina envolvendo brasileiros

MADRI, 31 Ago 2010 (AFP) -A polícia desmantelou a primeira rede de tráfico de homens na Espanha ao término de operações iniciadas em fevereiro que causaram a detenção de 14 pessoas.

Esta é a primeira vez que a Espanha acaba com uma rede dedicada à exploração sexual de homens, afirma um comunicado policial. As detenções aconteceram em Palma de Mallorca, Madri, Barcelona, Alicante e León.

A maior parte dos jovens que se prostituíam vinha do Maranhão, atraídos por promessas enganosas.

As operações, que começaram em fevereiro passado, causaram a detenção de 14 pessoas, entre elas do cérebro da organização, de nacionalidade brasileira.

Também foram presas 17 vítimas que estavam na Espanha em situação irregular, explicaram depois em uma entrevista coletiva à imprensa membros da Brigada Central de Redes de Imigração.

Os homens --embora também houvesse travestis e mulheres em menor proporção-- acreditavam que estavam indo para a Europa para serem dançarinos ou modelos "e a organização fornecia a 'bolsa de viagem' e a passagem de avião, que era comprada com cartões 'clonados'".

As vítimas tentavam entrar na Espanha a partir de outros países do Espaço Schengen europeu.

Quando chegavam ao território espanhol, "o líder da rede os distribuía por casas de prostituição variadas e fornecia a eles cocaína, 'popper' (uma droga para a estimulação sexual) e Viagra para que se prostituíssem 24 horas por dia".

O grupo conseguiu levar para a Espanha cerca de 80 pessoas, dos quais 64 eram homens e o restante travestis e mulheres, indicaram as autoridades da brigada.

Alguns deles, com entre 22 e 29 anos, sabiam que iam para a Espanha para se prostituir, embora acreditassem que fosse em condições diferentes, enquanto outros não sabiam e viajavam convencidos de que atuariam como dançarinos ou modelos.

As vítimas desta rede viviam amontoadas em casas de quartos com duas ou três beliches em que dormiam entre quatro e seis pessoas. Havia uma pequena sala onde se apresentavam para seus clientes, em maioria homens com entre 20 e 65 anos.

Os jovens cobravam cerca de 60 euros, mas a metade da arrecadação ia para os chefes da rede, a quem tinham que pagar cerca de 4.000 euros (5.076 dólares) por terem sido levados para a Espanha.

A rede atraía clientes "por meio de anúncios na seção de classificados de jornais e de diferentes sites em que fotos dos jovens disponíveis eram exibidas".

A investigação sobre esta rede de prostituição começou em fevereiro, de acordo com a polícia, que indicou que as 14 pessoas acusadas também são suspeitas de terem fornecido drogas às vítimas, assim como a seus clientes.

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