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27/10/2010 - 12h18

Morreu o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner

BUENOS AIRES, 27 Out 2010 (AFP) -Néstor Kirchner, ex-presidente entre 2003 e 2007, e marido da atual presidente da Argentina, Cristina Kirchner, morreu nesta quarta-feira, aos 60 anos em El Cafalate (sul) por um episódio de "morte súbita", segundo informou o médico presidencial Luis Buonomo.

Néstor Kirchner, que tinha um longo histórico de problemas cardíacos, se encontrava com a esposa na residência da família em El Calafate, província de Santa Cruz, quando sofreu uma parada cardiorrespiratória e teve que ser levado para um hospital de maneira urgente.

Sua morte surpreendeu a Argentina, que se encontrava, além disso, paralisada por um feriado decretado para a elaboração do censo nacional.

Eric Calcagno, senador pela Província de Buenos Aires, afirmou em seu Twitter (@EricCalcagno): "Consternado pela notícia. O país sofre a maior perda desde o início da democracia. Não tenho palavras".

"Néstor Kirchner" está liderando o "trending topic" do Twitter, a lista dos dez temas mais abordado na rede em nível mundial.

O deputado, líder do governante Partido Justicialista e secretário-geral da Unasul, havia sido internado em caráter de urgência em fevereiro por uma afecção na artéria carótida direita e em setembro sofreu uma obstrução em uma artéria coronária.

De caráter implacável ante seus adversários, Kirchner construiu seu poder com base num estilo personalista que, em nível nacional, tentou superar com uma chamado à 'transversalidade' política (alianças com outras forças).

De caráter irascível e implacável com os adversários, Kirchner construiu seu poder com um estilo personalista, que a nível nacional tentou superar com um pedido de 'transversalidade' política (alianças com outras forças), que não chegou a ser concretizada com fatos.

Kirchner deixa dois filhos, Máximo, 32 anos, e Florencia, 19, fruto do casamento com Cristina Fernández de Kirchner, atual presidente do país, que conheceu quando ambos estudavam Direito na Universidade de La Plata (60 km ao sul de Buenos Aires) e militavam na Juventude Peronista nos conturbados anos 70.

Kirchner era um dos políticos mais influentes do país e um potencial candidato à presidência nas eleições de outubro de 2011, apesar da ala governista não ter definido seu candidato.

Quando era presidente, em 2004, Kirchner teve que ser operado após uma crise gástrica que superou com êxito.

No início deste ano, em 7 de fevereiro, o ex-presidente foi submetido a uma operação cardíaca, que também teve recuperação satisfatória.

Mas em 12 de setembro teve que ser submetido a uma angioplastia, na qual os médicos implantaram um 'stent' em uma das coronárias obstruída.

Poucas horas depois da cirurgia, que teve muita repercussão na mídia, Kirchner participou de um ato político do Partido Justicialista, que chamou a atenção pela rapidez da recuperação.

No calor da disputa política dos últimos meses, Kirchner prometeu trabalhar para "voltar a ser uma alternativa clara em 2011".

Para poder ser candidato a deputado por Buenos Aires, o três vezes governador nos anos 90 da província natal de Santa Cruz, Kirchner decidiu fixar residência na mansão oficial de Olivos (periferia norte de Buenos Aires) e renunciou ao histórico endereço a 3.000 km ao sul da capital, com o objetivo de ser um postulante no maior distrito do país.

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