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05/02/2011 - 20h44

EUA se distanciam de declarações de ex-embaixador sobre papel de Mubarak

MUNIQUE, Alemanha, 5 Fev 2011 (AFP) -O governo dos Estados Unidos se distanciou neste sábado das declarações do enviado especial ao Egito Frank Wisner, que sugeriu que o ex-presidente Hosni Mubarak deveria permanecer no poder durante a transição.

Frank Wisner, um influente diplomata aposentado e ex-embaixador dos EUA no Egito que se reuniu com Mubarak nesta semana, a pedido do presidente Barack Obama, "falava em seu nome e não em nome do governo dos Estados Unidos", disse um funcionário da Casa Branca.

Mais cedo, Wisner afirmou que Mubarak era um "velho amigo" dos Estados Unidos e disse que ele "deveria permanecer no cargo para conduzir as mudanças".

"O prosseguimento da liderança do presidente Mubarak é crucial", disse Wisner à Conferência sobre Segurança realizada em Munique através de uma vídeoconferência.

"É a oportunidade dele (Mubarak) escrever seu próprio legado. Ele concedeu 60 anos de sua vida a serviço do país, este é um momento ideal para que possa mostrar o caminho à frente".

Outro funcionário americano afirmou que não chegou a ouvir as opiniões de Wisner e preferiu não comentar quando jornalistas as leram em voz alta, mas salientou que o ex-diplomata estava dando sua opinião pessoal.

"Frank Wisner estava falando como um cidadão privado... analista... não como um representante do governo americano", informou a fonte, que não quis se identificar.

Na sexta-feira, Obama afirmou que o orgulhoso "patriota" Mubarak deveria ouvir seu povo e tomar "a decisão correta", evitando pedir de forma explícita a saída imediata do presidente egípcio do poder.

Mas citando fontes americanas e egípcias que não quiseram se identificar, o jornal The New York Tmes afirmou neste sábado que o vice-presidente Omar Suleiman e militares de alto escalão estudavam alternativas para Mubarak deixar o poder de forma honrosa.

Mubarak, que liderou o Egito por mais de três décadas, afirmou que gostaria de deixar o poder, mas precisa ficar para não deixar o Egito mergulhar no "caos".

Wisner disse que o governo Obama o enviou na segunda-feira ao Cairo, onde ele se encontrou com o líder egípcio de 82 anos e com Suleiman. Ele já está de volta aos EUA.

"A crise é de uma importância extraordinária. O que acontece no Egito afeta todos os nossos interesses em toda a região", disse Wisner.

"Os Estados Unidos tiveram uma relação longa e muito próxima - mais de 30 anos - com o Egito. Para onde o Egito for, sua ordem interna, a orientação externa do Oriente Médio será profundamente afetada".

Wisner afirmou que sua missão "era para ter certeza de que nos comunicamos com respeito com um homem que foi um velho amigo dos EUA, mas que agora enfrenta a enorme responsabilidade de liderar o Egito em uma transição para um futuro novo e diferente, e fazer isso sem utilizar a força".

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