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Terremoto no Japão

Um dos maiores tremores da história desencadeia um tsunami, provoca mortes e deixa um rastro de destruição no Japão

  • Imagem: Reprodução
30/03/2011 - 15h15

Japão estuda usar de lona especial a navio-tanque para afastar perigo radioativo


Em Sendai

O Japão estudava nesta quarta-feira todas as opções para reduzir as emissões radioativas e retirar toneladas de água contaminada da central Fukushima Daiichi (n°1), incluindo cobrir os reatores com uma lona especial ou utilizar os reservatórios de um navio-tanque.

A operadora do complexo, Tokyo Electric Power (Tepco), aceitou a ajuda do grupo nuclear francês Areva. A presidente da empresa, Anne Lauvergeon, chegou nesta quarta-feira a Tóquio acompanhada de especialistas com o objetivo de prestar assistência técnica às equipes japonesas, principalmente para o tratamento das águas contaminadas.

O Departamento americano de Energia também colocou à disposição robôs resistentes a radiações, capazes de recolher informações dos reatores nas instalações onde a radioatividade é elevada demais.

Criticado por sua ausência depois do início da mais grave crise nuclear depois Chernobyl, o presidente da Tepco, Masataka Shimizu, de 66 anos, foi hospitalizado na terça-feira à noite com hipertensão arterial, confirmou durante uma entrevista coletiva à imprensa o presidente de honra do grupo, Tsunehisa Katsumata.

Katsumata considerou inevitável o desmantelamento dos reatores 1 ao 4 da central Fukushima Daiichi, construída há mais de 40 anos na costa do Pacífico, 250 km ao norte de Tóquio e de seus 35 milhões de habitantes.

O complexo, que conta com seis reatores, não foi concebido para resistir ao tsunami de 14 metros gerado, no dia 11 de março, pelo mais poderoso terremoto já registrado no Japão.

A alimentação elétrica dos circuitos de resfriamento dos reatores foi brutalmente interrompida. Sem água, o combustível nuclear começou a aquecer e a entrar em fusão, provocando uma série de explosões e grandes vazamentos radioativos.


No entanto, esse processo, que poderá desencadear um grande acidente nuclear, parece ter sido contido no momento.

"As informações atuais que possuímos nos levam a pensar que a central registra uma lenta recuperação após o acidente", disse Peter Lyons, subsecretário americano interino encarregado do Escritório de Energia Nuclear do Departamento de Energia.

"Há ainda um grande número de obstáculos a serem superados para que a central nuclear retome a estabilidade, mas acho que as coisas estão no bom caminho", confirmou William Borchardt, um alto funcionário da Nuclear Regulatory Commission (NRC), comissão americana de regulação nuclear.

Milhares de toneladas de água do mar, substituídas recentemente por água doce por causa dos efeitos corrosivos do sal, foram derramadas dia e noite sobre os reatores para que fossem resfriados e para interromper a fusão.

Mas essa enorme quantidade de água contaminada pela radiação entrou nas salas de máquinas e nas galerias subterrâneas e, em seguida, vazou para o Oceano Pacífico, onde a taxa de iodo radioativo atingiu mais de 3.300 vezes os índices aceitáveis na água do mar.

Os técnicos, que combatem a radiação há vinte dias, estão diante de um círculo vicioso: é fundamental resfriar os reatores, mas, quanto mais água utilizam, mais os índices de radioatividade aumentam. E quanto menos água injetam, mais a temperatura aumenta nos reatores.

A agência de segurança nuclear japonesa considerou nesta quarta-feira que é chegado o momento de buscar soluções inéditas.

"Estamos ante a uma situação sem precedentes e devemos pensar em estratégias diferentes, além do que fazemos normalmente", declarou uma autoridade à AFP.

A Tepco poderá utilizar um navio-tanque na central para retirar o líquido altamente radioativo, e estuda a possibilidade de cobrir as estruturas danificadas de três dos seis reatores com uma lona fabricada com um material especial, capaz de limitar o vazamento de vapores radioativos.

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